"Não vou varrer pra baixo do tapete os indícios da denúncia", diz Amin sobre relatório contra Temer na CCJ - Política e Economia - Santa

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Crise política11/07/2017 | 15h15Atualizada em 11/07/2017 | 17h56

"Não vou varrer pra baixo do tapete os indícios da denúncia", diz Amin sobre relatório contra Temer na CCJ

Único catarinense titular na comissão da Câmara, deputado Esperidião Amin (PP) abriu voto a favor das investigações sobre o presidente

"Não vou varrer pra baixo do tapete os indícios da denúncia", diz Amin sobre relatório contra Temer na CCJ Gabriela Korossy/Agência Câmara
Foto: Gabriela Korossy / Agência Câmara

Único catarinense titular da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados — pelo menos por enquanto, como ele mesmo reforça —, Esperidião Amin (PP) afirma que já declarou voto a favor de denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB) porque "não pode se omitir" sobre os indícios apresentados pelo relator. Destaca que não é uma condenação prévia, mas sim que as investigações têm que continuar.

Também diz que as trocas na CCJ por orientação do governo são demonstração de fragilidade e questiona a tentativa do PMDB de influenciar outras bancadas. Sobre a liberação de emendas parlamentares como moeda de troca para salvar o presidente da República, Amin afirma que ouviu comentários, mas que nada chegou até ele.

O senhor agora é o único titular da CCJ da Câmara...
Não diga isso já porque o deputado Jorginho Mello está aqui ao meu lado e já me disse que eu sou ele amanhã (risos). Ele está rogando praga, e você vai duvidar de uma praga rogada pelo Jorginho Mello? Eu não vou! (risos).

Qual o clima nos bastidores da CCJ em relação à denúncia contra o presidente Temer?
Eu acho que a controvérsia está toda lançada dentro do PMDB. O PMDB tem o presidente da República, líder, presidente da CCJ, aí indicam o deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ) pra relatoria e ele dá o parecer recomendando a continuidade da denúncia. Acho que a encrenca está lá. Eu esperei, até por uma questão de prática pessoal minha, eu li a denúncia, li a defesa, ontem ouvi atentamente todas as manifestações e cheguei à minha conclusão. Dei conhecimento público, dei conhecimento ao líder do meu partido e já declarei meu voto (a favor da denúncia). Fiz isso de consciência tranquila, não posso é me omitir. De tudo que escutei ontem, uma coisa é a síntese: eu não vou varrer pra baixo do tapete os indícios reproduzidos na denúncia. Não tenho compromisso com erro de ninguém, nem com o meu. O compromisso com meu erro é procurar corrigir. Agora vou esconder debaixo do tapete o erro dos outros? Não estou condenando o presidente, mas dizendo que as investigações têm que prosseguir.

O senhor teme ser retirado da CCJ em uma troca da liderança do partido?
Já declarei meu voto, agora, se for trocado, será uma medalha pra mim, uma condecoração. Imerecida, mas é uma condecoração. Não vou ficar triste, porque é o governo que está cobrando esse tipo de atitude de líderes, e vou lamentar profundamente se isso acontecer porque fragiliza a representação popular. E sem utilidade, porque a denúncia vai a plenário de qualquer forma. E um comentário político: o PMDB não consegue administrar os seus, quer administrar os dos outros?

E como o senhor avalia essa prática de trocar deputados na comissão?
Eu não posso dar opinião sobre isso sem dizer o seguinte: esse tipo de atitude demonstra fragilidade. O povo está dizendo que essas trocas na comissão são uma confissão de culpa. Eu não diria tanto, mas diria que é uma fragilidade.

Alguns parlamentares também denunciam a liberação de emendas como moeda de troca por votos a favor de Temer no plenário. O senhor foi procurado?
A mim não chegou, mas ouço comentários, isso tem sido denunciado. Isso é assunto pro Ministério Público, Judiciário avaliar. Acho que se for dentro de critérios, de anterioridade, tudo bem. Não posso condenar porque não conheço todo o processo.

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