O acaso e a construção política do fim da aliança entre PSD e PMDB - Política e Economia - Santa

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Upiara Boschi11/07/2017 | 06h00Atualizada em 11/07/2017 | 06h00

O acaso e a construção política do fim da aliança entre PSD e PMDB

Por coincidência, a Criciúma de Eduardo Pinho Moreira foi palco de mais um discurso de Raimundo Colombo de endosso ao projeto da candidatura própria do PSD ao governo. O divórcio de peemedebistas e pessedistas está no ar como nunca esteve desde que a coalizão se formou

Às vezes o acaso é um bom roteirista. No último sábado, por obra dele, Criciúma recebeu mais um encontro regional do PSD catarinense em que as principais lideranças do partido — o governador Raimundo Colombo à frente - reforçaram a posição do deputado estadual Gelson Merisio como pré-candidato ao governo em 2018. Justamente na base política do vice-governador Eduardo Pinho Moreira (PMDB), talvez o último defensor da aliança que governa o Estado desde a década passada.

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No entanto, o acaso não costuma trabalhar sozinho em seus roteiros. A veemência de Colombo no sábado, ao dizer que a pretensão de candidatura do PSD é "legítima, decente e correta" e chamar Merisio de "nosso líder nesse caminho" é a evidência de uma construção política e desta vez não deve ser contraposta por bombeiros peemedebista como força de expressão ou exagero de interpretação. O divórcio está no ar como nunca esteve desde o dia em que Colombo era pré-candidato a governador pelo PFL e aceitou uma carona de Luiz Henrique da Silveira (PMDB) até o Senado há longínquos 11 anos.

Nas últimas semanas, tem ficado clara uma postura mais arredia da bancada do PMDB em relação aos projetos do governo na Assembleia Legislativa. No debate sobre a descentralização administrativa implantada por LHS, por exemplo, eles são diretos ao afirmar que a proposta foi esvaziada aos limites da irrelevância pelo atual sócio de coalizão.

Se as convenções fossem hoje, Merisio seria aclamado candidato pelo PSD e o deputado federal Mauro Mariani pelo PMDB. Não são, e esse talvez seja o dado mais importante na construção do cenário para 2018. Pinho Moreira aposta suas chances de concorrer ao governo pela velha aliança na chance de antecipação de abril para janeiro a renúncia de Colombo. Teria tempo de governar e construir um projeto eleitoral. Ao mesmo tempo, teme herdar a caneta apenas para pagar dívidas e folha de pagamento. 

É neste mês de julho que deve acontecer a conversa definitiva entre ele o Colombo sobre 2018. Foi numa conversa parecida, em 2010, que o peemedebista aceitou ser vice para manter a aliança viva. Agora, o efeito pode ser o contrário.

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