A um ano da eleição para governador de SC, pré-candidatos buscam consolidação de projetos  - Política e Economia - Santa

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Eleições 201807/10/2017 | 17h03Atualizada em 07/10/2017 | 17h03

A um ano da eleição para governador de SC, pré-candidatos buscam consolidação de projetos 

Gelson Merisio (PSD) e Mauro Mariani (PMDB) tem aval dos próprios partidos, enquanto Paulo Bauer (PSDB) conta com o recall de 2014. Mas tradição política de SC é a definição na última hora

Se as eleições para governador de Santa Catarina fossem hoje, é provável que os principais candidatos na disputa fossem Décio Lima (PT), Gelson Merisio (PSD), Mauro Mariani (PMDB) e Paulo Bauer (PSDB). O problema, especialmente para eles, é que ainda falta um ano para a disputa de 7 de outubro de 2018. A lógica política das eleições anteriores mostra que as disputas pelo comando do Estado são marcadas por definições de última hora na composição de candidaturas. 

É por isso que os quatro postulantes mais consolidados trabalham para transformar o que hoje é um desejo de concorrer em candidaturas de fato. Enquanto isso, nomes alternativos dentro dos próprios partidos e em outras legendas buscam espaço para surpreender.

Os movimentos mais avançados até agora são de Gelson Merisio, deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa. Embora enfrente resistências dentro do PSD, ele ganhou força em agosto quando o PP oficializou em convenção o apoio a sua candidatura. Na órbita do pessedista estão também o PSB, o PRB, o Pros, o Solidariedade e o PV. 

Nesta lógica, caberá aos pepistas indicar o candidato a vice, enquanto uma das vagas ao Senado será do governador Raimundo Colombo (PSD). A outra ficaria com o ex-deputado Paulo Bornhausen (PSB) ou seria usada para acomodar o PSDB em caso de adesão ao projeto. O avanço das pré-definições fazem Merisio dizer que trabalha "como candidato, não como pré-candidato". A única restrição é a continuidade da aliança com o PMDB que sustentou os governos de Luiz Henrique da Silveira (PMDB) e Colombo.

— Será um confronto respeitoso por causa da convivência dos últimos 14 anos. Mas temos convicções diferentes — afirma.

Possível futuro ex-aliado, o PMDB também afunilou em uma pré-candidatura. Contrário ao apoio do partido à reeleição de Colombo em 2014, o deputado federal Mauro Mariani ganhou a condição de construir seu projeto depois dos apoios de outros possíveis nomes: o senador Dário Berger e o vice-governador Eduardo Pinho Moreira, antigo rival interno. Ao contrário de Merisio, que já desenha chapas, o peemedebista diz que ainda é cedo para maiores definições. Por enquanto, só descarta o PP, pela rivalidade histórica, e o PT, pela relação entre os partidos após o impeachment de Dilma Rousseff (PT) e posse de Michel Temer (PMDB) na presidência da República.

— Ainda é muito cedo para prever alianças. Na última eleição, até o penúltimo dia o Joares Ponticelli (PP) era o candidato ao Senado da chapa do Colombo. O Dário Berger não só foi o candidato como se elegeu — afirma.

Enquanto os antigos sócios racham, o senador Paulo Bauer se arma para disputar pela segunda vez consecutiva o governo pelo PSDB. Em 2014, alcançou 30% dos votos e quase forçou o favorito Colombo a encarar um perigoso segundo turno. O tucano conta com a lembrança do eleitorado e tem simpatia do grupo do PSD contrário a Merisio. Porém, enfrenta resistências no próprio ninho — onde o deputado estadual Marcos Vieira se apresenta como pré-candidato e o prefeito blumenauense Napoleão Bernardes (PSDB) tem sido lembrado como renovação. 

Além disso, a candidatura presidencial de Geraldo Alckmin ou João Dória pode levar o PSDB catarinense a adotar a estratégia de abrir mão de candidatura própria em nome de palanques mais robustos, como fez nas eleições de 2006 e 2010. Bauer rejeita a hipótese:

— Na última eleição, tivemos candidaturas a presidente e a governador sem que houvesse alguma compensação ou troca. Já temos a manifestação da executiva nacional de que o PSDB de SC terá liberdade para decidir.

No PT, o deputado federal Décio Lima corre como único pré-candidato até o momento. Depois de disputar sem alianças o governo com o ex-deputado federal Cláudio Vignatti na última eleição e ver reduzidas as bancadas estadual e federal, o partido tenta se recompor no Estado. Décio que deseja ser candidato para tirar o partido do isolamento, reconectar a base de movimentos sociais e sindicatos. Quer trazer de volta aliados históricos como PCdoB e PDT, mas só rejeita alianças com PMDB e PSDB. À frente de tudo, a possível candidatura do ex-presidente Lula à presidência.

Os pré-candidatos ao governo de SC
Foto: Arte / Diário Catarinense

— Tudo será feito em sinergia com a candidatura de Lula à presidência. Não há plano B — afirma, rejeitando a hipótese de que o líder petista seja excluído da disputa por via judicial.

Cortejado por praticamente todos os pré-candidatos e partidos, o deputado federal Jorginho Mello (PR) garante que está disposto a concorrer ele mesmo ao governo. 

— Minha candidatura de pé. E agora com os votos do Temer, acho até que está em crescimento — afirma o parlamentar, em referência ao episódio em que foi afastado da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados ao anunciar que votaria pela aceitação da denúncia da Procuradoria Geral da República contra o presidente Michel Temer.

Embora o PP já tenha definido em convenção o endosso à aliança com o PSD para o ano que vem para fortalecer Merisio, o deputado federal e ex-governador Esperidião Amin (PP) não vê o acerto como concretizado. Ele não descarta candidatar-se pela quinta vez ao cargo que ocupou por duas vezes e alfineta o pré-candidato pessedista por ainda ter resistência no próprio partido.

— Não sou um cético e muito menos um torcedor contrário, mas esse cenário de candidaturas não existe. Cenário é pesquisa e ainda não temos pesquisa — afirma o pepista.

A provocação de Amin tem como base grupos pessedistas que não acreditam na viabilidade eleitoral de Merisio. Inicialmente, a ideia era manter a composição com o PMDB em torno do prefeito joinvilense Udo Döhler. O fortalecimento de Mariani fez essa articulação ficar de lado e a bola da vez passou a ser Paulo Bauer - o tucano tem origem no PFL, assim como os principais nomes do PSD. 

— A candidatura do Merisio não empolga ninguém — diz um defensor da aliança.

Embora o PMDB venha praticando gestos de unidade em torno de Mariani, ainda existem entusiastas de Udo Döhler — o perfil do empresário bem sucedido que entrou para a política seria mais adequado ao cenário eleitoral atual de rejeição aos partidos.

— Seria um candidato perfeito para este momento — diz um ex-deputado peemedebista.

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