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Cidade mais vertical15/11/2017 | 06h30Atualizada em 15/11/2017 | 06h30

Com mais prédios na paisagem, número de apartamentos cresce 225% em Blumenau

Com apartamentos representando mais de 20% dos domicílios, Blumenau segue caminho de construção de edifícios enquanto setor se mostra confiante em relação ao lançamento de novos empreendimentos

Com mais prédios na paisagem, número de apartamentos cresce 225% em Blumenau Patrick Rodrigues/Jornal de Santa Catarina
Bairro Vila Nova é um dos que concentra boa parte dos novos apartamentos erguidos em Blumenau nos últimos anos Foto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

Em vez de quintal, playground e área de convivência. Tags de segurança no lugar de cadeados no portão. Os churrascos de fim de semana passaram da área de festas para o salão de uso coletivo e compromissos como reunião de condomínio passaram a fazer parte da rotina. O perfil de moradia do blumenauense mudou

O número de prédios na região mais central da cidade e o surgimento de novos lançamentos, mesmo neste momento apontado por economistas como de saída de uma crise, mostra que a tendência de verticalização ganha cada vez mais força em Blumenau.

Dados do IBGE repassados pelo Sindicato da Indústria da Construção de Blumenau (Sinduscon) mostram que, em pouco mais de uma década, o número de apartamentos passou de cerca de 8,7 mil para 26,1 mil unidades (um avanço de 225%) entre 2000 e 2016 – último dado disponível. Proporcionalmente, o que antes representava 11,3% agora significa 20% do total de domicílios da cidade, passando de 77,2 em 2000 para 126 mil em 2016.

A maior parte das quase 20 mil moradias verticais construídas durante este período foram nos bairros mais centrais, como Jardim Blumenau, Victor Konder e, mais recentemente, Vila Nova e região próxima ao Parque Vila Germânica. Além disso, em bairros mais afastados, imóveis do Programa Minha Casa Minha Vida também impulsionaram esse crescimento.

A verticalização é vista com bons olhos por empresários do setor. O vice-presidente do Sinduscon, Marcos Bellicanta, define o processo como irreversível, sobretudo em cidades que precisam acomodar o crescimento populacional, como é o caso de Blumenau – onde, de acordo com as últimas três estimativas do IBGE, o número de moradores aumentou em 4,8 mil pessoas por ano (de 2014 a 2017). Bellicanta credita essa tendência ao desejo cada vez maior das pessoas de morarem perto das regiões centrais e à escassez dos terrenos nessas áreas, o que favorece a valorização. Como comprar um terreno e construir uma casa nesses locais fica quase financeiramente inviável, os apartamentos se tornam opções com bom padrão de moradia e preços mais acessíveis.

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Menos habitantes por domicílio 

Outros fatores como crédito, renda e juros também são decisivos na escolha por apartamentos. Mas uma das principais explicações para a busca cada vez maior por imóveis verticais está nas famílias menores e no número de habitantes por domicílio mais baixo.

Há muitos anos tínhamos quatro, cinco habitantes por domicílio, e hoje estamos numa tendência inferior a três, está em dois e meio. Então, para cinco mil pessoas você precisava fazer mil residências e agora precisa fazer duas mil para atender a mesma população. Esse é outro fator determinante na demanda – argumenta Bellicanta.

Não é somente a tendência de verticalização que representa otimismo para os empresários do setor. Depois de cerca de dois anos difíceis com o agravamento da crise econômica, agora a perspectiva é de uma retomada. 

O vice-presidente do Sinduscon detalha que, nos últimos 60 dias, já foi possível ver um aumento na procura de investidores e em lançamentos que antes estavam parados.

No Sindicato da Habitação de Blumenau (Secovi), o presidente Sérgio Cunha confirma que a expectativa é de uma volta do crescimento, sobretudo a partir do próximo ano.

Maior acesso a serviços é uma das vantagens da ocupação em prédios

O principal benefício da verticalização está em ter mais gente morando na área central, perto de espaços como escolas, creches e postos de saúde, tendo acesso à infraestrutura da cidade. Ligações de água, energia e esgoto também atendem mais pessoas, com um custo muito menor para instalação em razão da curta distância entre as conexões. A professora de Planejamento Urbano do curso de Arquitetura e Urbanismo da Furb, Carla Cintia Back, explica que, de forma geral, a verticalização é interessante por permitir essa racionalidade nos custos e na estrutura. 

Há também os casos de condomínios do Programa Minha Casa Minha Vida que atendem a populações de baixa renda e foram construídos em bairros distantes, como Passo Manso e Progresso, onde os terrenos costumam ser mais baratos. Nestes locais, há adensamento (pessoas residindo em um espaço territorial mais compacto) e verticalização, mas não há o benefício da otimização da infraestrutura e dos serviços, que precisam ser levados aos poucos para os bairros distantes, a um custo maior.

Cidade mais linear gera mais custos

Carla alerta que verticalização não é sinônimo de adensamento – em prédios de alto padrão, por exemplo, em que há um apartamento por andar, a moradia é verticalizada, mas não necessariamente adensada. A professora ressalta que em algumas regiões há limites, porque essa densidade maior pode extrapolar a capacidade de suporte de serviços ou estruturas como o sistema viário, de educação ou saúde dessas regiões.

– Quanto mais linear a cidade, maior o custo para a prefeitura. De maneira geral, a verticalização é algo interessante, permite racionalizar a infraestrutura já existente, mas cada região tem que fazer sua análise sobre isso – pontua.

A capacidade do sistema viário de algumas regiões como o bairro Velha, que atualmente já tem grande quantidade de prédios, é, aliás, uma preocupação do presidente do Sindicato da Habitação de Blumenau (Secovi), Sérgio Cunha, que defende que a estrutura local precisa estar adequada ao adensamento populacional. Obras como o prolongamento da rua Humberto de Campos são ações adotadas para suportar esse crescimento na região. O presidente sustenta também a importância de ter uso misto nos prédios na região do Centro, já que o uso exclusivamente comercial deixa a região pouco movimentada nos fins de semana.

Outro alerta, este defendido por Carla, é a necessidade de restringir a altura dos prédios na região central da Rua XV ou em pontos que fazem parte do patrimônio histórico da cidade. O exemplo citado é o prédio de 35 andares erguido na Ponta Aguda, que, segundo a especialista, embora esteja previsto no Plano Diretor, acaba interferindo na paisagem e no desenho da região central por ter altura muito superior à dos demais. Marcos Bellicanta, do Sinduscon, aponta que a tendência é que prédios de 15 a 25 andares sejam o padrão da verticalização da cidade nos próximos anos. No entanto, para casos de imóveis mais altos como o da Ponta Aguda, ele afirma que o incentivo a mais construções verticais de tamanho semelhante naquela região diminuiria a sensação de contraste com os outros prédios, hoje muito menores.

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