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Economia26/11/2017 | 03h00Atualizada em 26/11/2017 | 03h00

Trabalho informal puxa alta salarial em Santa Catarina

Rendimentos dos trabalhadores no Estado voltaram a níveis pré-crise. Ocupações sem carteira assinada são as principais responsáveis 

Trabalho informal puxa alta salarial em Santa Catarina Tiago Ghizoni/Diário Catarinense
O pedreiro João Paulo Gonçalves da Silva encontrou como saída para o desemprego a venda de morangos no Centro de Florianópolis Foto: Tiago Ghizoni / Diário Catarinense

Em um período de três anos, a desocupação cresceu 152% em Santa Catarina, enquanto o trabalho informal, por conta própria, subiu 12,7%, segundo dados da PNAD Contínua, do IBGE. E é justamente a informalidade que tem puxado a retomada dos salários. Se considerarmos o montante total recebido pelos trabalhadores, em qualquer tipo de serviço, a massa salarial já retornou aos níveis pré-crise, porém o rendimento médio real ainda patina. Ao mesmo tempo, o emprego com carteira assinada tem se mantido praticamente estável.

O auge do salário médio do catarinense ocorreu no 4º trimestre de 2014, quando chegou a R$ 2.340. O fundo do poço, por outro lado, veio no segundo trimestre de 2016, quando caiu para R$ 2.079. Desde então, tem ocorrido uma recuperação paulatina, mas que ainda não retornou às cifras do final de 2014.

Segundo o coordenador de trabalho e rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, a informalidade pode até trazer uma melhoria no curtíssimo prazo, com o aumento do dinheiro em circulação, porém os efeitos são perversos quando se pensa mais à frente.

– A informalidade não é boa para ninguém. Esperamos que isso não dure muito  tempo – diz Azeredo.

Apesar de não ser um cenário ideal, a retomada da movimentação, mesmo com informalidade, é um indicador de reaquecimento econômico – em outras palavras, o dinheiro voltou a circular na economia catarinense.

Para o economista José Álvaro Cardoso, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese-SC), o retorno da massa salarial está ocorrendo “às custas da  deterioração das condições do trabalho”. Como exemplo de revés para a classe empregada, ele cita a reforma trabalhista e as mudanças na regra de terceirização, que diminuiriam ainda mais os salários.

— Em um momento de crise, os empresários usam a rotatividade para achatar o rendimento dos trabalhadores. O salário do admitido é, em média, 70% daquele que foi demitido. E um trabalhador mais pobre significa menos consumo, o que prejudica diretamente as empresas voltadas para o mercado interno — diz Cardoso.

Mesmo com os sinais de recuperação e a melhora dos indicadores nos últimos trimestres, o economista do Dieese não vê uma saída positiva num futuro próximo. Apesar do retorno da massa salarial à casa dos R$ 8 bilhões por trimestre (número que caiu para R$ 7 bi na metade de 2016), Cardoso diz que há mais desocupados e mais jovens tendo de voltar a trabalhar para ajudar no orçamento familiar:

— Antes tinha aquela pessoa que não estava no mercado de trabalho por opção, para focar nos estudos, que é o que chamamos de inativo. Isso tudo está se perdendo.

A análise do economista Luciano Córdova, da Fecomércio-SC, lembra outro fator importante: o emprego com carteira assinada no Estado caiu 2% entre o terceiro trimestre de 2014 e o mesmo período desse ano. Embora acredite numa recuperação mais forte nos próximos meses, ele diz que o Brasil se encaminha para uma “década perdida” do crescimento, já que o tombo no PIB foi de quase 8% entre 2015 e 2016, e a recuperação vai ocorrer de forma lenta:

— Não se viam dois anos seguidos de queda no PIB desde a década de 1930.  

E o próximo ano ainda vai ser de cautela. O mais urgente é eliminar o componente de incerteza que ronda o país atualmente. Para Córdova, para conseguir uma retomada é preciso eliminar o déficit público e mudar o eixo de crescimento, voltado para o fortalecimento do mercado interno. 

De andaimes e obras para as ruas como vendedor

O pedreiro João Paulo Gonçalves da Silva, de 26 anos, é um dos trabalhadores que precisou se voltar para a informalidade a fim de garantir a renda familiar. Há sete meses, ele perdeu o trabalho na construção civil e teve de ir em busca de uma solução para alimentar a filha de três anos e nove meses. Encontrou como saída a venda de morangos no Centro de Florianópolis. De segunda a sábado, ele estaciona o carrinho de mão no calçadão da avenida Paulo Fontes para fazer negócios.

— Até ganho um pouquinho a mais por mês, mas sem férias, 13º salário e fundo de garantia. Queria assinar de novo a minha carteira, mas não consigo. Já botei currículo em vários lugares e ninguém chama — conta.

Trabalho por conta própria como opção

A informalidade, porém, é uma escolha para muitos, como Fernando Antonio Fernandes Neto. Ele vende algodão doce e já trabalhou “fichado”, como gosta de dizer, mas desistiu há mais de dez anos em função dos baixos salários:

— Tenho cinco filhos para sustentar. No algodão doce, você consegue alguns eventos nos fins de semana e sempre é possível ganhar um pouco a mais.

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