Aos trancos e barrancos, Alesc fez história ao aprovar fim da aposentadoria de ex-governadores - Política e Economia - Santa

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Upiara Boschi19/12/2017 | 18h48Atualizada em 19/12/2017 | 18h52

Aos trancos e barrancos, Alesc fez história ao aprovar fim da aposentadoria de ex-governadores

Aos trancos e barrancos, Alesc fez história ao aprovar fim da aposentadoria de ex-governadores Luis Gustavo Debiasi / Agência Alesc, Divulgação/Agência Alesc, Divulgação
Foto: Luis Gustavo Debiasi / Agência Alesc, Divulgação / Agência Alesc, Divulgação

Nada é mais poderoso que uma ideia cujo tempo chegou, diz a frase do escritor francês Victor Hugo, já quase um clichê. No final da tarde de ontem, a Assembleia Legislativa deu 33 votos favoráveis e nenhum contrário à emenda constitucional que extingue um dos benefícios mais controversos da política catarinense: a pensão de R$ 30,4 mil para os ex-governadores.

Quem viu os contundentes discursos dos parlamentares de várias legendas contra o que agora chamam de privilégio pode não entender como a proposta do deputado Padre Pedro Baldissera (PT), em tramitação desde 2011, estava há seis meses pronta para ser votada e engavetada por falta de acordo. Havia o temor de que o texto do petista colocasse em risco o pagamento aos oito ex-governadores atualmente beneficiados. O tema só foi ao plenário porque foi ressuscitada uma emenda de Maurício Eskudlark (PR) que garantia a continuidade desses pagamentos. 

Mesmo assim, Padre Pedro não desistiu do texto original. Chegou ontem pouco antes das 7h na Assembleia esbanjando otimismo. Recebeu apoios na véspera, inclusive o líder do governo, Darci de Matos (PSD). Importante termômetro do humor do plenário, Gelson Merisio (PSD) também passou a defender o texto original. Foi se consolidando a argumentação de que a Justiça deve garantir a continuidade dos pagamentos a quem já recebe. Assim, começou a nascer, já durante a tarde, a enxurrada de votos que acabaria com as polêmicas pensões. Quando isso ficou claro, Eskudlark anunciou a retirada da emenda. O jogo estava jogado e Padre Pedro foi efusivamente cumprimentado pelos colegas pela vitória conquistada depois de 10 anos - desde 2007 na Justiça, a partir de 2011 no legislativo. 

Mesmo que aos trancos e barrancos, a Assembleia fez história ontem. Já fez parte da cultura política a ideia de que cabia ao Estado bancar suas antigas lideranças e até mesmo parentes. No final dos anos 1960, uma lei concedeu pensões a três irmãs solteiras de Fúlvio Aducci, governador do Estado por 25 dias em 1930. A comoção pelo acidente aéreo que matou Nereu Ramos, Jorge Lacerda e Leoberto Leal em 1958 resultou, dois meses depois do desastre, em lei concedendo o benefício às viúvas. Até 2011, uma neta de Hercílio Luz recebia pensão. Há pouco mais de dois anos, a Assembleia discutia a recriação da aposentadoria de deputado estadual, enquanto a extinção da pensão dos ex-governadores parecia uma cruzada quixotesca de Padre Pedro. O tempo da ideia ainda não havia chegado. Chegou ontem - esperamos que perdure.

 

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