Em Florianópolis, Barroso discursa como o candidato que nega ser - Política e Economia - Santa

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Upiara Boschi04/12/2017 | 21h31Atualizada em 04/12/2017 | 21h31

Em Florianópolis, Barroso discursa como o candidato que nega ser

Em Florianópolis, Barroso discursa como o candidato que nega ser Rosinei Coutinho/SCO/STF
Foto: Rosinei Coutinho / SCO/STF

No começo de novembro, o jornalista Elio Gaspari citou nomes do Judiciário que poderiam surgir como novidade na eleição presidencial do ano que vem. Entre eles, o ministro Luís Roberto Barroso, que logo negou a possibilidade em nota oficial. Na noite de sexta-feira, em Florianópolis, ele mostrou as características que fizeram o experiente jornalista ver nele um possível presidenciável.

Pouco antes da palestra, Barroso negou entrevista, mas antecipou que diria “coisas interessantes”. Para um auditório lotado na sede da OAB catarinense, fez um diagnóstico das causas da crise política brasileira e do cenário de corrupção sistêmica descortinado pela Operação Lava-Jato. Alternando uma posição crítica em relação ao momento atual e um olhar generoso para as conquistas do período democrático, cativou a plateia com um discurso consistente e muito coloquial. Um bom marqueteiro saberia vender Barroso em 2018.

Para quem diz não ter nenhum projeto eleitoral na cabeça, o ministro do Supremo traz na ponta da língua uma agenda de reformas. O discurso de Barroso contemplou até a Amazônia, mas o foco mais ficou com a política. Defendeu o sistema distrital misto para eleições parlamentares (“hoje o eleitor não sabe quem elegeu e o eleito não sabe quem o elege”) e a adoção de um semipresidencialismo - o presidente eleito cuida das políticas externa e econômica, enquanto um primeiro-ministro indicado por ele e referendado pelo Congresso trata do dia a dia da gestão. 

Foi enfático na defesa da reforma da previdência. Disse que não se trata de uma questão “filosófica ou ideológica, mas aritmética” e chamou de “vexame” deixar um país arruinado para a próxima geração. Defendeu a Lava-Jato e reafirmou que ela é vítima de tentativa de abafa de grupos ligados à política, ao empresariado e à burocracia estatal, mas que sobreviverá pelo respaldo da sociedade. Elencou o quadro atual com um presidente duas vezes denunciado, um ex-presidente condenado em primeira instância, um senador ex-presidenciável alvo de inquérito e mais de 1,8 mil políticos citados em delações. Ao mesmo tempo, relembrou que o período democrático conseguiu acabar com a hiperinflação e reduzir a pobreza. Acreditar que também poderá vencer a corrupção.

— Apesar da fotografia do momento ser devastadora, o filme da democracia é muito bom. 

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