Renúncias vão definir o 2018 da política catarinense - Política e Economia - Santa

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Upiara Boschi02/12/2017 | 11h34Atualizada em 02/12/2017 | 11h34

Renúncias vão definir o 2018 da política catarinense

Uma palavra vai marcar o começo de 2018 na política catarinense: renúncia. As composições e candidaturas da próxima eleição dependem muito desse gesto - que pode ser lido como de desprendimento ou de ambição.

A renúncia que mais deve chamar atenção é a do governador Raimundo Colombo (PSD). Não apenas a saída do cargo para ficar apto a concorrer ao Senado, mas também a data em que ele desocupa o Centro Administrativo. O pessedista sofre pressões do PMDB do vice-governador Eduardo Pinho Moreira para antecipar a renúncia para janeiro. Já o PSD de Gelson Merisio quer a saída de Colombo apenas em abril, no limite exigido pela lei eleitoral. A decisão de Colombo é encarada como um sinal prévio em favor de apoio ao PMDB em 2018 ou de adesão ao projeto de Merisio. Quem o conhece, acredita em uma data no meio do caminho, um meio termo. 

Derivada da decisão de Colombo, surge outra renúncia: Pinho Moreira assume o governo ou também deixa o cargo para concorrer a senador ou deputado federal? Assumindo, poderia apenas concorrer a governador ou fazer o papel partidário de dar suporte à candidatura do partido. Hoje, ele apoia o deputado federal Mauro Mariani (PMDB), mas poderia voltar a assumir o figurino de pré-candidato caso se confirmem os rumores de que o senador Dário Berger (PMDB) quer voltar ao páreo. O renúncia do vice teria outro empecilho. Saindo ele e Colombo, um governador tampão será eleito por uma Assembleia controlada por Merisio. Ter um aliado do rival, talvez o próprio, no Centro Administrativo seria um duro golpe ao PMDB.

O cardápio de renúncias tem ainda duas possíveis saídas de prefeitos para concorrer em 2018. O blumenauense Napoleão Bernardes (PSDB) se movimenta como quem já tomou a decisão, enquanto o joinvilense Udo Döhler (PMDB) é mais cauteloso, aguarda uma convocação do PMDB para que ele lidere uma aliança. Uma renúncia mais discreta também tem peso. O presidente da Assembleia, Silvio Dreveck (PP), deixa o cargo em fevereiro para cumprir o acordo de divisão de mandato com Aldo Schneider (PMDB). Automaticamente, assume a presidência estadual do PP. Com isso, os pepistas pró-Merisio assumem de fato o comando da sigla e limitam os movimentos de Esperidião Amin em direção a um projeto alternativo. 

Jornal de Santa Catarina
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