Como planejar as contas e o que esperar financeiramente de 2018 - Política e Economia - Santa

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Economia02/01/2018 | 07h00Atualizada em 02/01/2018 | 13h52

Como planejar as contas e o que esperar financeiramente de 2018

Economistas de Blumenau apontam boas e más notícias para o orçamento das famílias e como fazer com que este ano seja de muito dinheiro no bolso e mais segurança financeira 

Como planejar as contas e o que esperar financeiramente de 2018 Patrick Rodrigues/Jornal de Santa Catarina
Foto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

Ele pode não trazer felicidade, mas está sempre nos desejos do Ano-novo. Nas apostas da Mega-sena da Virada, nas peças de roupas amarelas, nas simpatias com sementes de romã, nas promessas de economizar, há sempre uma ênfase especial ao dinheiro. Para saber o que as famílias podem esperar financeiramente de 2018, o Santa ouviu economistas para apontar quais podem ser os vilões do orçamento familiar este ano e quais áreas podem trazer alívios às contas do mês.

Para a auxiliar de produção Charline Avencut, 29 anos, o que mais pesou neste ano que passou foram os alimentos no supermercado, principalmente depois que o marido perdeu o emprego, há cinco meses. O desejo para 2018 é de que os preços nas gôndolas deem uma trégua. Flávio Beiler, 65, cita o preço da carne como um dos itens que ficaram mais salgados nos últimos dois meses, prejudicando aquele tradicional churrasquinho. No entanto, são dois gastos que ficaram famosos em 2017 como inimigos do orçamento das famílias os que mais preocupam o representante de seguros: o gás de cozinha e o combustível.

– Isso é uma vergonha, o governo está querendo repassar todo o reajuste que não foi feito nos últimos anos de uma vez. Espero que isso mude neste ano para a economia como um todo melhorar – opina.

 Blumenau - SC - Brasil - 29122017 - Planos para 2018, case Sr. Flávio Beiler.
Foto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

Evitar fazer empréstimos, pagar à vista ou no menor número de parcelas possível, não comprometer mais do que ganha, prevenir-se contra o desemprego: todas essas dicas clássicas continuam valendo em 2018, segundo o economista da Furb Jamis Piazza. Para quem quer realizar planos como comprar a casa própria ou trocar de carro, o ano é considerado bom porque, graças à taxa menor de juros, é possível encontrar boas linhas de crédito para essas compras.

Como poupar e onde aplicar em 2018

Junto com o Ano-novo vêm também os planos de economizar e a confiança de que este ano vai. Para finalmente conseguir esse objetivo, o economista e professor da Furb Bruno Thiago Tomio explica que é fundamental ter uma forma de controle – vale planilha, aplicativo, caderninho, o que for. Outra dica é destinar um percentual do salário já no começo do mês para a poupança ou uma aplicação. Afinal, se esperar para fazer isso no fim do mês, depois dos boletos, quase nunca sobra, não é mesmo? Uma sugestão é começar com 5% ou 10% e ir elevando esse índice quando for possível.

Onde aplicar esse dinheiro? Com a diminuição da taxa Selic, a poupança voltou a ser uma opção interessante para os mais conservadores, com rendimento médio de 5% ao ano. Outra boa pedida são aplicações de cooperativas de crédito da região, que ao fim do ano ainda rendem uma distribuição das sobras. Para quem se interessa mais por investimentos uma opção é o chamado Tesouro Direto, com rendimento em geral acima das cadernetas. Por fim, para os mais ousados e que gostam de pesquisar e estudar, o economista Nazareno Schmoeller lembra do mercado de ações e até as moedas virtuais (Bitcoins), podem ser destinos para as economias – mas aqui é importante conhecer e considerar os riscos.

– Se tem uma coisa que a pessoa tem que desejar nesse Ano-novo é, “Eu não vou pagar juros. Eu vou receber juros”. A partir disso, ela vai criar hábitos de sempre buscar descontos, pesquisar preços, ter dinheiro guardado – orienta Tomio.

Negativo

Gás de cozinha

Um dos vilões do orçamento no ano que passou, o gás de cozinha pode continuar inflamando o bolso do consumidor. Desde agosto, quando a Petrobras anunciou política de reajustes mais constantes para o produto, com base na variação do preço internacional, o botijão de 13 quilos teve alta de 68%. Em dezembro, após o sexto aumento consecutivo, a Petrobras prometeu rever a política de preço, mas não deu detalhes sobre o novo formato. Ainda assim, com preço entre R$ 75 e R$ 79 em Blumenau, o item vai exigir uma fatia maior do orçamento mensal neste ano, ou vai exigir novos hábitos e agilidade de um Gordon Ramsey (famoso chef inglês) na frente do fogão para fazer o botijão durar mais.

Combustível

O economista e professor da Furb Bruno Thiago Tomio explica que os preços administrados – tanto o gás de cozinha quanto também a gasolina, que teve novo reajuste no dia 29, de 1,7%, e deve continuar a tendência de alta sendo outra vilã das contas das famílias – têm forte relação com o mercado internacional do petróleo, que tem tendência de instabilidade neste ano. Alternativas como o transporte coletivo podem ser saídas para economizar nesta área. Outro fator que inflaciona os preços controlados é a taxa de câmbio.

– Como 2018 é um ano eleitoral, antes das eleições o mercado financeiro deve ficar mais agitado, gerando um real mais fraco. E isso vai ser repassado aos consumidores – projeta Tomio.

O alerta sobre o câmbio também serve para quem pretende viajar – antecipar ou comprar aos poucos moedas estrangeiras pode ser vantajoso.

Energia elétrica

Já a energia elétrica depende das questões climáticas, e como o verão costuma ter quantidade menor de chuvas, nesse período é possível prever um custo maior nas faturas. O economista Jamis Piazza frisa que na média a energia deve aumentar 9,4% em 2018.

– As ações necessárias são de racionalizar o consumo porque a tendência ainda é de crescimento nos valores, ainda mais se houver retomada da atividade econômica – avalia o economista e professor da Furb Nazareno Schmoeller.

Gastos sazonais

Início de ano é também época de contas pontuais, como o IPTU – que em Blumenau neste ano vai aumentar de 14% a 50%, de acordo com a zona de tributação. Outro caso é o material escolar. Neste caso, Tomio sugere a clássica dica de pesquisa de preços em pelo menos três estabelecimentos. Já para o IPVA e licenciamento do carro, a orientação é utilizar uma parcela do 13º ou então economizar uma quantia mês a mês para não ser surpreendido pelo gasto quando o mês do final da placa chegar.


Positivo

Aluguéis

Para quem mora de aluguel o ano pode ter boas notícias. Pela primeira vez desde 2009 e a segunda em 28 anos, o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou deflação, fechando em -0,52%. O indicador é usado como base em boa parte dos contratos de aluguel. Portanto, segundo o economista Bruno Tomio, 2018 começa com boas possibilidades de manutenção ou até redução dos valores dos contratos de locação. O índice também é usado em alguns contratos de financiamento.

Empregos

O economista Bruno Tomio pontua que com um cenário mais estável, a expectativa é de que as empresas invistam mais. O período pré-eleitoral também tem liberado mais verbas para obras públicas. Tudo isso tende a gerar mais postos de trabalho, aumentando a oferta de emprego para quem esteve à margem do mercado em 2017. Nazareno Schmoeller alerta que boa parte dos investimentos vai depender da definição eleitoral no Estado e no país, mas confirma que pode ser um ano de mais oportunidades. O alerta, porém, é para o ritmo desses investimentos, que deve ser menor, e para como ficarão as relações de trabalho após a reforma trabalhista aprovada em novembro. Os novos contratos podem trazer mais vagas de trabalhos temporários, por exemplo, mas, segundo Schmoeller, também podem provocar mais insegurança aos trabalhadores, o que pode afetar a produtividade e o consumo.

Alimentos

Sobre os alimentos, a alta de combustíveis como diesel e gasolina até pode impactar um pouco os preços no supermercado, por causa do custo do transporte basicamente rodoviário, que costuma afetar toda a cadeia. Mas nada que assuste. Segundo os economistas da Furb Jamis Antônio Piazza e Nazareno Schmoeller, se não houver intempéries e problemas climáticos, como já ocorreu em 2017, o ano deve ser de reajustes mais suaves nos alimentos nas gôndolas.

Juros e serviços de alimentação

A tendência é de que a taxa Selic, que serve de base para as taxas de juros dos bancos, continue baixando e desça da barreira de 7%, alcançada em dezembro. Com isso, quem tem dívidas ou faz uso de cheque especial pode ser favorecido. Outra possível boa notícia para as contas em 2018 são os serviços de refeições fora de casa, que, segundo Nazareno Schmoeller, podem ter os preços estabilizados. O motivo é o aumento da concorrência causado por trabalhadores que decidiram partir para a área de alimentação. Esta, inclusive, é vista como uma área que pode gerar mais oportunidades de trabalho neste ano.

 

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