Como deve ficar o governo de SC com a passagem de bastão de Colombo para Pinho - Política e Economia - Santa

Versão mobile

 

Entra e sai09/02/2018 | 04h00Atualizada em 09/02/2018 | 04h00

Como deve ficar o governo de SC com a passagem de bastão de Colombo para Pinho

Principais secretarias já têm nomes confirmados, mas já é possível desenhar o cenário completo

A uma semana de assumir o governo do Estado, com a licença e posterior renúncia em abril de Raimundo Colombo (PSD), o vice Eduardo Pinho Moreira (PMDB) tem o desenho do novo secretariado quase pronto. As secretarias mais estratégicas do governo, como Fazenda, Casa Civil, Saúde e Segurança Pública, concentram as confirmações oficiais, incluindo algumas posses. Mas o destino de outras áreas importantes também já está traçado. Garantindo que a meta é enxugar a máquina pública e não esquecendo de imprimir a sua cara (e a do partido) na composição do poder, Pinho faz boa parte das apostas em servidores técnicos de carreira, que já conhecem ou conheceram as estruturas por dentro e têm alguma ligação com o PMDB.

Dos nomes confirmados, quase todos têm larga experiência no serviço público e todos têm boa quantidade de anos dedicados à área em que vão atuar — mesmo quando a formação original não é intimamente ligada a ela. É o caso de Acélio Casagrande na Saúde. Forjado na política, já passou pela saúde estadual e pela saúde municipal de Criciúma na gestão do próprio Pinho Moreira, em mais uma dobradinha entre conhecimento técnico para gerir o setor e afinidade partidária e pessoal com o futuro governador.

— O Acélio era meu chefe de gabinete em 1993 e coloquei ele na saúde porque o então secretário era médico e tinha pouco tempo para se dedicar. Os médicos questionaram a minha escolha e eu disse que ele estaria lá só para assinar os papéis, que o secretário seria eu. Três meses depois os mesmos médicos vieram me pedir pra que ele continuasse. Então o Acélio cresceu, se inteirou, se especializou na saúde — explica Pinho.

Na Fazenda, Infraestrutura, Casa Civil, Justiça e Cidadania, Agricultura e Planejamento entram soluções caseiras, com adjuntos alçados a titulares ou servidores de carreira reconhecidos com a comando das secretarias. A escolha mais surpreendente até agora foi a do professor Alceu Pinto, que não figurava em praticamente nenhuma lista de possíveis secretários da Segurança.

— É um ano muito difícil do ponto de vista de gestão pública, porque é ano eleitoral, a legislação é muito rigorosa, e é um ano em que temos que ter controle absoluto dos gastos, mas com ações que se multipliquem em benefícios para a população. Então estou escolhendo tecnicamente mesmo. A escolha do professor Alceu tem essa característica. É um homem com formação teórica sólida, que reúne as condições para ter esse saber e poder colocar em prática — destaca o vice-governador.

O peemedebista admite que há um forte elemento político-partidário no fato do poder decisório hoje concentrado no PSD, à frente da Casa Civil e da Fazenda e com a figura do próprio governador, passar para o PMDB. Mas reforça que os pessedistas continuarão ocupando boa parte dos cargos que têm pelo Estado. Inclusive duas secretarias importantes: a da Educação, com Eduardo Deschamps, e da Defesa Civil, com Rodrigo Moratelli. De acordo com Moreira, eles devem permanecer nas funções pelo bom trabalho desempenhado e pela relação de respeito que mantiveram ao longo dos últimos anos:

—  Não tem porque mudar o que está bem porque continuamos juntos, é um governo de continuidade. Lá na frente é outra história...

As maiores dúvidas, pelo menos oficialmente, são na Assistência Social, no Desenvolvimento Econômico e na Comunicação. A saída dos deputados Valmir Comin (PP) e Carlos Chiodini (PMDB) nas duas primeiras pastas, respectivamente, já é certa, enquanto na de João Debiasi ainda pairam dúvidas. No Turismo, Cultura e Esporte, conforme adiantado pelo colunista Moacir Pereira, a intenção é não nomear um substituto para Leonel Pavan, mas sim subordinar as divisões da pasta a outras secretarias, para cortar custos. Isso deve ser feito internamente, deixando de ocupar cargos vagos, para não haver necessidade de mandar um projeto de reforma administrativa para a Assembleia Legislativa.

Trocas no secretariado

Saúde

Sai: Murillo Capella
Cirurgião pediatra e ex-presidente da Associação Catarinense de Medicina (ACM), era secretário-adjunto da Saúde até dezembro do ano passado, quando assumiu com a saída de Vicente Caropreso (PSDB). Capella já foi vice-prefeito de Florianópolis, secretário municipal de Saúde e superintendente da Fundação Hospitalar. Deve se aposentar ao deixar ao cargo.

Entra: Acélio Casagrande
Foi empossado em janeiro, ainda por Colombo, mas já é uma escolha de Pinho Moreira. Ex-deputado federal do PMDB, Casagrande já passou pela Saúde estadual entre 2012 e 2014, como secretário adjunto. Também foi chefe de gabinete de Moreira na prefeitura de Criciúma, onde também atuou como titular das secretarias da Saúde e da Fazenda. Estava lotado na Secretaria de Articulação Nacional, trabalhando em Brasília, e assumiu a Saúde estadual neste ano prometendo que a regionalização e a redução de custos são prioridades.

Fazenda

Sai: Renato Lacerda
Auditor Fiscal da Receita Estadual, Lacerda é servidor da Fazenda desde 1995. Era secretário adjunto da pasta e assumiu interinamente a função de secretário em 31 de outubro de 2017, substituindo Almir Gorges, que pediu exoneração para tratar da saúde. Deve voltar à área técnica quando deixar o cargo.

Entra: Paulo Eli 
Funcionário de carreira da Fazenda do Estado, tem 41 anos de serviço público federal e estadual. Foi gerente de planejamento da Fazenda de 1995 a 1998, secretário adjunto da Fazenda em 1998 e em 2003, Diretor Geral da Secretaria de Administração de 2006 a 2010 e Secretário de Administração em 2010. Com forte ligação com o PMDB, construiu o modelo da descentralização para Luiz Henrique da Silveira em 2002 e coordenou a redação da lei da reforma administrativa que criou a descentralização em 2003.

Infraestrutura

Sai: Luiz Fernando Vampiro
Deputado estadual pelo PMDB, Vampiro sai para disputar a reeleição. Era secretário desde janeiro de 2017. Antes, já tinha sido assessor jurídico da Advocacia Geral da União da Região Sul, procurador do município de Nova Veneza e presidente da Autarquia de Segurança, Trânsito e Transporte de Criciúma (ASTC). Em 2008, foi eleito vereador do município e, depois de dois anos de mandato, assumiu o cargo de secretário de Desenvolvimento Regional de 2010 a 2014, quando foi candidato a deputado estadual. 

Entra: Paulo França 
Ligado ao PMDB, o engenheiro civil é hoje o adjunto da Infraestrutura. Já foi presidente da Eletrosul, secretário de Obras da prefeitura de Blumenau, secretário regional e candidato pelo PMDB a prefeito e a deputado estadual. França acumulará a função de secretário com a presidência do Deinfra, que terá a saída do atual titular Wanderley Agostini para disputar as eleições.

Justiça e Cidadania

Sai: Ada de Luca 
Deputada estadual pelo PMDB há três mandatos, sai para disputar nova reeleição. Era a titular da secretaria desde o início do primeiro mandato de Colombo. Está no centro de uma investigação da PF que apura caixa dois na campanha eleitoral de 2014, o que ela nega.

Entra: Leandro Lima 
Atual secretário adjunto da Justiça e Cidadania, já era reconhecido por estar à frente das ações técnicas da pasta. Também já foi diretor do Departamento de Administração Pessoal (Deap). Agente penitenciário há 30 anos, Lima exerceu ainda os cargos de Gerente de Apoio Operacional e Diretor Interino do Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico, Gerente da Casa do Albergado "Irmã Maria Uliano" e Diretor da Penitenciária Estadual de Florianópolis.

Segurança

Sai: César Grubba
Promotor do Ministério Público de Santa Catarina há mais de 25 anos, Grubba é secretário da pasta desde 2011. No início de sua carreira, atuou como Promotor de Justiça Substituto nas Comarcas de Xanxerê e Joinville, alcançando, posteriormente a posição de Promotor de Justiça Titular das Comarcas de Pinhalzinho, Xaxim, São Bento do Sul, Jaraguá do Sul e Joinville. Antes de assumir a secretaria, Grubba estava lotado como titular da 2ª Promotoria de Justiça Criminal da Capital, exercendo o cargo de Coordenador-Geral do Centro de Apoio Operacional Criminal do Ministério Público. Deve disputar as eleições, cotado como pré-candidato a deputado federal.

Entra: Alceu Pinto 
Graduado em Direito e doutor em Ciência Jurídica, é presidente nacional do exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Atualmente, é coordenador da Univali na Grande Florianópolis e não pretende se afastar das aulas mesmo estando na secretaria. Tem experiência na área de Direito Penal, com ênfase em Criminologia e Direito Penitenciário, e é um nome que não estava entre os cotados para assumir a Segurança. Já confirmou dois nomes operacionais e técnicos para a Polícia Militar e a Polícia Civil. O coronel Araújo Gomes assume como comandante-geral da PM, substituindo o coronel Paulo Henrique Hemm, que sai para disputar a eleição como pré-candidato a deputado estadual pelo PSB. Na Civil, o delegado Marcos Flávio Ghizoni Júnior entra como delegado-geral no lugar Artur Nitz, que deixou o cargo por opção própria.

Turismo, Cultura e Esporte

Sai: Leonel Pavan 
Ex-governador, ex-senador e ex-prefeito de Balneário Camboriú, assumiu a secretaria em janeiro de 2017. Deputado estadual pelo PSDB, deixa o cargo para disputar a eleição — ainda com indefinição para qual cargo.

Entra: ninguém
Secretaria será uma das pastas que não terá novo titular, com objetivo de reduzir a máquina pública. Conforme adiantado pelo colunista Moacir Pereira, o Turismo deve ser vinculado diretamente ao gabinete de Pinho como secretaria executiva e a Fundação Catarinense de Cultura irá para a órbita da Secretaria da Educação.

Agricultura

Sai: Moacir Sopelsa 
Está em sua quinta legislatura como deputado estadual do PMDB e sai para disputar nova reeleição. Sopelsa já foi prefeito de Concórdia, o primeiro secretário de Agricultura de Concórdia e presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos. Era secretário desde fevereiro de 2015.

Entra: Airton Spies 
Atual secretário adjunto — cargo que também exerceu de 2010 a 2014 —, é um técnico experiente com uma história de 34 anos na Epagri, onde se aposentou em 2015, além de já ter sido o titular da pasta entre abril de 2014 e fevereiro de 2015. Ele também é secretário executivo do Conselho Estadual do Pronaf de Santa Catarina e já foi presidente da Aliança Láctea Sul-Brasileira.

Casa Civil

Sai: Nelson Serpa
Ligado ao PSD, estava na Casa Civil desde 2013, mas atuou no governo Colombo desde o início, como Procurador-Geral do Estado e secretário da Fazenda. Na política, foi vereador e prefeito de Campos Novos. Na Casa Civil, participou ativamente da criação e gerenciamento do Fundo de Apoios aos Municípios (Fundam) e coordenou a série de projetos para reformulação administrativa do governo do Estado, como a fusão das agências de regulação de serviços públicos, transformação das SDRs em agências, extinção da Cohab, Codesc e Bescor e da autarquia do Porto de São Francisco do Sul para criação de uma sociedade de propósito específico. Deve voltar a trabalhar como advogado. 

Entra: Luciano Veloso 
Administrador e servidor da Secretaria da Casa Civil há 20 anos, já atuou como gerente de Recursos Humanos, diretor de Assuntos Administrativos e nos últimos anos estava nomeado como secretário adjunto da pasta, atuando no dia a dia da secretaria ao lado de Serpa. Antes do governo do Estado, trabalhou 13 anos na prefeitura de Videira.

Planejamento

Sai: Murilo Flores 
Secretário desde janeiro de 2013, sai para disputar as eleições deste ano pelo PSB. No governo do Estado também foi presidente da Epagri e da Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina (Fatma). Atualmente, exerce, além do cargo de Secretário de Estado do Planejamento, a função de secretário executivo do programa Pacto por Santa Catarina. Nas eleições de 2016 disputou a prefeitura de Florianópolis, terminando em 4º lugar.

Entra: Cassio Taniguchi 
É o atual superintendente geral da Superintendência de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Florianópolis (Suderf), ligada à Secretaria de Planejamento. Foi consultor de grandes projetos urbanísticos, tendo integrado frentes de equipes administrativas por todo o Brasil e também fora do país. Foi prefeito de Curitiba (PR) de 1997 a 2004 e secretário do Planejamento e da Indústria e Comércio no governo do Paraná. Foi ainda eleito deputado federal em 2006.

Desenvolvimento Econômico

Sai: Carlos Chiodini 
Deputado estadual pelo PMDB, sai para disputar a eleição, buscando novo mandato na Assembleia Legislativa ou tentando ir à Câmara dos Deputados. Antes de assumir a secretaria, tinha comandado órgãos como a Fatma, Junta Comercial do Estado de Santa Catarina (Jucesc) e Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc).

Assistência Social, Trabalho e Habitação

Sai: Valmir Comin 
Deputado estadual pelo PP, sai para disputar a eleição — além de ser do partido ferrenho adversário do PMDB de Pinho. Era secretário desde janeiro de 2017, justamente para contemplar os progressistas na base de apoio ao PSD de Colombo. Com formação técnica em edificações, é empresário do ramo carbonífero.

Comunicação

Sai: João Debiasi 
Administrador, ocupava o cargo desde junho de 2016. Ligado a Colombo, colaborava com o governador há mais de 10 anos, dando consultoria política, monitorando pesquisas e trocando ideias sobre cenários políticos. Antes de ser secretário passou pela diretoria de Novas Mídias e pela diretoria de Divulgação da Secom.

Devem permanecer

Educação: Eduardo Deschamps 
Defesa Civil: Rodrigo Moratelli 
Administração: Milton Martini 

 
Jornal de Santa Catarina
Busca