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Mudança03/02/2018 | 09h00Atualizada em 03/02/2018 | 09h00

Setor de serviços puxa transformação da economia blumenauense

Números do PIB demonstram que o setor de serviços ultrapassou a indústria local. Este aumento se deu em um período de dez anos e indica mudanças do perfil econômico

Setor de serviços puxa transformação da economia blumenauense Patrick Rodrigues/Jornal de Santa Catarina
Foto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

A economia tem seus ciclos. A necessidade de adaptação econômica leva setores a alterarem suas estruturas por completo em alguns casos. A indústria é um dos setores mais significativos na composição econômica das sociedades e há algum tempo divide espaço com outros segmentos, como o de serviços. Os números do Produto Interno Bruto (PIB) de Blumenau demonstram que num intervalo de 10 anos (resultado mais recente é referente a 2015) o setor de serviços já tem uma fatia maior da economia local do que a indústria, com resultados positivos e menos retração.

As mudanças são intensas, porém previsíveis, explica o economista e professor do departamento de Economia da Furb, Nazareno Schmoeller. Segundo ele, pelo menos nos últimos 30 anos existia uma preocupação com a extrema dependência da indústria têxtil em Blumenau, principalmente por conta da concorrência com os produtos importados, em especial os asiáticos. O doutor em Ciências Sociais Marcos Antônio Mattedi explica que a transformação da economia blumenauense começou na década de 1990 e se tornou mais forte quando o governo federal promoveu a abertura para o mercado internacional.

O setor de serviços se fortaleceu com a mão de obra que deixou as indústrias, caso do segmento de Tecnologia da Informação, e outros se desenvolveram a partir das demandas locais, como o turismo. Presidente da Associação Empresarial de Blumenau (Acib), o empresário Avelino Lombardi considera que a cidade tem grande demanda por atividades do setor de serviços, além das novas necessidades da população, o que ajuda a impulsionar o segmento e diversificar a economia.

José Altino Comper, presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau (Sintex), celebra a divisão entre os setores como algo positivo, que tira o peso da dependência econômica da indústria, e acredita que o segmento ainda tem muito futuro na cidade, mas precisa se adequar aos novos tempos.

Outro fator que conta é a integração entre os dois setores, que Lombardi considera saudável para um cenário de desenvolvimento e se reflete principalmente na geração de empregos. Os trabalhadores migram de um setor para o outro. Os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, demonstram esse movimento: nos últimos oito anos a indústria de Blumenau perdeu 4.264 vagas, enquanto o setor de serviços criou 8.164 postos de trabalho. 

O garçom Murilo Cristian Almeida da Silva, 25 anos, é um exemplo de como o setor de serviços se movimenta com rapidez em Blumenau. Paulista da cidade de Sorocaba, ele decidiu mudar de vida depois do fim de um relacionamento. Decidido a morar na praia se mudou para Florianópolis. Na Ilha de Santa Catarina ouviu falar bem de Blumenau e rumou para o Vale do Itajaí há quase um ano. Três meses depois da chegada já estava trabalhando como garçom, profissão na qual atua há sete anos.

O comércio também tem fatia significativa na formação econômica de Blumenau, principalmente na geração de empregos. Logo atrás dos serviços, abriu 4.460 novas vagas entre 2010 e 2017.

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Plano de Desenvolvimento Econômico une governo e empresas no planejamento do futuro

Projetando o futuro, a prefeitura de Blumenau apresentou em 2016 o Plano Estratégico de Desenvolvimento Econômico, que uniu governo, empresas e entidades dos segmentos econômicos para elencar as prioridades e vislumbrar caminhos. O Pedem, como é chamado, elegeu cinco eixos como prioritários: Comércio, Têxtil, Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), Eletrometalmecânica e Saúde, projetando o que os números mostram: integração entre indústria e serviços.

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Empreendedorismo, Moris Kohl, afirma que o plano foi criado com o objetivo de fortalecer a economia da cidade:

– Foi estabelecida uma estrutura de gestão decorrente das sugestões apresentadas nos Seminários de Planejamento dos Eixos Estratégicos. Esta estrutura de gestão fortalece o Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico e Social de Blumenau, criando neste conselho um fórum permanente que reúne os eixos estratégicos priorizados. O fórum reúne as entidades de classe, instituições de ensino e pesquisa, instituições de apoio, entidades de governo e demais membros da sociedade civil para atuar no desenvolvimento do município, desdobrando as estratégias desenvolvidas no Pedem em projetos e ações, articulando e apoiando os comitês temáticos a viabilizar seus planos e prioridades.

Além disso, o secretário reforça que o poder público está atento às transformações da economia e tem apoiado projetos que visam a expansão dos segmentos que já demonstram desenvolvimento, como o Blusoft-Entra21, que na última década capacitou mais de 3,5 mil pessoas para atuar em empresas de TI. Outra ação apontada por Kohl é a desburocratização  e a concentração de atendimentos na Praça do Empreendedor que, segundo ele, reduziu de 60 dias para três horas o tempo para a abertura de empresas na cidade, em casos de baixa complexidade.

Para as entidades que representam os setores econômicos, o Pedem é positivo, e é preciso fazer mais. O presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário  de Blumenau (Sintex), José Altino Comper, diz que é criar um ambiente favorável para atrair investimentos e reduzir custos.

Hélio Roncaglio, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), diz que "não dá para largar tudo nas costas do poder público" e que o trabalho teria que ser mais equilibrado.

Já o presidente da Associação empresarial de Blumenau (Acib), Avelino Lombardi, vê o plano como fundamental, mas pondera que os governos precisam pensar mais a longo prazo:

– As administrações municipais têm feitos planos estanques, quatro anos e acabou. Eles têm que ser feitos para quatro, 10, 20, 30, 40, 50 anos, independente da gestão que vá continuar.

 

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