Quaresma movimenta setor da piscicultura no Vale do Itajaí - Política e Economia - Santa

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Economia27/03/2018 | 07h01Atualizada em 27/03/2018 | 07h01

Quaresma movimenta setor da piscicultura no Vale do Itajaí

Projeção é de que o consumo de peixes cresça 25%

  

Foto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

A chegada da Páscoa faz crescer o consumo de peixes e anima quem tem a renda baseada na venda de pescados no Vale do Itajaí. Nesta época do ano, a comercialização do produto aumenta 25% no Estado, segundo o gerente do Centro de Desenvolvimento em Aquicultura e Pesca da Epagri, Fabiano Muller Silva. Ele avalia que este é um momento importante para o setor, sobretudo porque permite uma melhora no preço para o pequeno produtor, pois muito do que se vende no período de Quaresma sai das feiras livres e de pesque-pagues, onde o preço cobrado é mais alto do que o negociado com os frigoríficos.

Em Gaspar, principal produtora de pescado de água doce do Vale do Itajaí, mais da metade do total, atualmente na casa das 895 toneladas/ano, chega aos consumidores por meio desses estabelecimentos. O crescimento nas vendas esperado para este período do ano é 50% superior em relação aos demais meses.

O baiano Adriano de Jesus Paixão todos os meses consome entre um e dois quilos de pescado, mas quando a Páscoa chega, o número cresce bastante. O professor de capoeira conta que são quase dez quilos para a Quaresma porque a tradição apregoa a confraternização familiar sem carne vermelha. 

– Sempre venho aqui na feira livre. Daí sei que o peixe é fresco e conheço a procedência – conta Paixão.

A alta na comercialização impulsionada por comportamentos e tradições como a do professor, entretanto, não está atrelada necessariamente à elevação na produção. Isso porque muitos piscicultores têm uma programação levando em conta o ciclo de desenvolvimento dos pescados, que varia de seis a oito meses. O que ocorre é que alguns criadores trabalham para enquadrar o período de safra com a Quaresma.

– Quem trabalha com feira livre, por exemplo, programa a engorda do peixe para tirar na época da Páscoa. Mas quem não tem como foco esse tipo de venda, que trabalha com frigorífico, daí não tem data vinculada – explica o dirigente da Epagri, Fabiano Muller Silva.

Em Santa Catarina, cerca de R$ 150 milhões são movimentados por ano com a comercialização de pescados somente na primeira venda, aquela do produtor ao revendedor. Em Gaspar, de acordo com estimativa da Secretaria Municipal de Agricultura e Aquicultura, é um negócio que movimenta em torno de R$ 2 milhões, sem contar a venda final ao consumidor e a piscicultura de subsistência.

Na propriedade de Ofélia Maria Campigotto, no bairro Gaspar Grande, são produzidos 50 mil quilos de peixes anualmente. Desse total, 80% vão para os pesque-pagues da região. Na cidade são cerca de nove espaços do gênero, que recebem mais de 30 mil pessoas ao ano. O público se reflete na quantidade de peixes comercializados. O montante chega a 30 toneladas/ano por estabelecimento, segundo a prefeitura.

Semana Santa movimenta economia na região

No pesque-pague da família Silva, também em Gaspar, é essa a média de compra e venda de pescado. Isso porque eles não produzem, apenas compram peixes da propriedade de Ofélia e revendem a quem vem ao estabelecimento, seja para pescar ou apenas para comprar o peixe já limpo.

– A clientela nesta época dobra – conta Neli da Silva, proprietária do local.

Somente a negociação entre as famílias Silva e Campigoto movimenta ao menos R$ 180 mil reais. O número é resultado do valor praticado por Ofélia, que vende por R$ 6 o quilo do peixe ao pesque-pague. Este, por sua vez, revende por R$ 8,50, gerando outra movimentação de R$ 255 mil.

De acordo com o engenheiro agrônomo da Secretaria de Agricultura e Aquicultura de Gaspar, Henrique da Silva Pires, o bom desempenho da cidade neste setor é reflexo de um trabalho em conjunto entre poder público, entidades e produtores. O resultado da articulação é que ao longo da última década a produção de peixes na cidade triplicou e a ideia é que seja ainda maior.

Blumenau tem produção de 500 toneladas de pescado

Em Blumenau, onde a estimativa de produção de pescados é de aproximadamente 500 toneladas anuais, a venda do produto também cresce nesta época do ano nos pesque-pagues, responsáveis por consumir 80% desse montante. A família de Anderson Luis Eichstadt tem um pesque-pague no bairro Itoupava Central e registra no período da Quaresma um crescimento de 40% na procura por peixe, chegando a 30 toneladas vendidas, seja na lagoa ou pronto no prato. 

A demanda é tão grande que nem mesmo a produção própria é capaz de suprir a procura do público, fazendo com que ele compre de outros piscicultores. 

Eichstadt diz que a capacidade de produção e comercialização poderia ser melhor, não fosse a burocracia e o desalinhamento dos órgãos responsáveis por fiscalizar e regulamentar o setor.

O técnico em agropecuária, Josmar Dall Acqua, da Diretoria de Desenvolvimento Rural de Blumenau, diz que isso ocorre em decorrência do excesso de legislações e normas, muitas federais e que não levam em consideração características do município.

FEIRAS

Blumenau

Durante toda a semana a prefeitura promove a venda de peixe vivo na Feira Livre próxima ao Parque Vila Germânica. A comercialização de pescados acontece das 8h às 18h. No local são vendidas tilápias e carpas por R$ 9 o quilo e cascudos e traíras por R$ 14 o quilo. A expectativa de venda nessa Quaresma é de seis toneladas somente no local.

Gaspar

Amanhã e quinta-feira tem feira de peixe vivo na Casa do Agricultor, no bairro Sete de Setembro, em Gaspar. O espaço estará aberto aos consumidores das 8h às 17h. O valor peixe vivo, independente da espécie, será de R$ 8 o quilo. Filé de tilápia será comercializado por R$ 25/kg; posta de tilápia por R$ 16/kg e peixe eviscerado por R$ 12/kg. A expectativa de venda é ultrapassar uma tonelada.

 

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