Setor da gastronomia cresce 38% em Blumenau - Política e Economia - Santa

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Empreendedorismo25/06/2018 | 09h16Atualizada em 25/06/2018 | 09h44

Setor da gastronomia cresce 38% em Blumenau

Avanço no número de bares e restaurantes reflete positivamente na receita e na geração de empregos na cidade

Setor da gastronomia cresce 38% em Blumenau Patrick Rodrigues/Jornal de Santa Catarina
Jerusa Steinhauser e Jaisson Althoff acompanham a evolução dos estabelecimentos e procuram conhecer as novidades Foto: Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

Sabe a expressão “juntou a fome com a vontade de comer”? Ela define bem o dia em que Eduardo Evers, 41 anos, decidiu tirar um sonho antigo da cabeça e transformá-lo em realidade. Empresário e dono de um estabelecimento ligado à venda de produtos coloniais, ele nutria na mente o desejo de ser dono de um boteco, onde pudesse também preparar comida para os outros. A oportunidade veio de onde menos se esperava:

– Vim buscar plantas aqui do lado e esse espaço, às margens da Rua Humberto de Campos, estava fechado. Falei com o dono para alugar e ele concordou. Fui para casa, conversei com a minha esposa e vimos que o local ficaria bem como um bar – recorda.

De lá para cá, o lugar com decoração especial em devoção a São Jorge se consolidou e faz parte de um leque com 851 opções de bares e restaurantes existentes atualmente em Blumenau. O setor se desenvolve a cada ano, fruto de consumidores mais dispostos a se alimentar fora de casa, mas que também estão mais exigentes e com paladar diversificado. Segundo dados da Secretaria Municipal de Gestão Financeira, o número de estabelecimentos voltados à gastronomia cresceu 38,37%. Em 2008, o total era 615.

O avanço desse tipo de negócio é fruto de um trabalho iniciado há alguns anos, com a promoção de eventos com foco na comida, aponta o presidente da Associação Blumenau Gastronômico, Develon da Rocha. Para ele, o que motiva a pessoa a sair de casa é ter experiências novas e os empresários se deram conta disso.

– Nosso maior concorrente é o sofá. A gente precisa dar boas opções para que as pessoas queiram sair de casa – concorda Evers.

Ambientes mais acolhedores

Para tentar vencer o conforto de ficar em casa, muitos investem no conceito dos ambientes, que são cada vez mais acolhedores e alinhados com o perfil dos clientes. No bar de Evers, inaugurado em abril de 2014, a inspiração vem das constantes visitas a bares por onde passa, mas, sobretudo, de São Paulo e do Rio do Janeiro. O cardápio, baseado na cozinha nordestina, é recheado de delícias preparadas pela esposa.

– Sentia falta de algo do gênero em Blumenau – argumenta o empresário.

Jerusa Steinhauser, 36 anos, vive em Criciúma e sempre que viaja para Blumenau conhece um lugar novo. O guia e amigo é o gasparense Jaisson Althoff, 37, que acompanha a evolução dos estabelecimentos em Blumenau. Para ele, o cenário mudou muito e para melhor. A prova disso é o encantamento da amiga.

– Estou encantada. Tudo aqui é lindo, bem decorado, comida boa. Sair com ele é garantia de que vou a um espaço gostoso e diferente – fala entusiasmada.

De olho no público jovem, os irmãos Antonio Reis Martins Júnior, 38 anos, e Carlos Henrique Foléis Martins, 36, investiram em um espaço diferente. Em março do ano passado eles inauguraram o primeiro restaurante de comida havaiana em Blumenau, em parceria com o sócio e chef de cozinha Antonio Gomes. O desejo era ter um estabelecimento de rua e tudo começou com estudo.

– Através de uma pesquisa de internet, achamos o prato principal, que tem uma pegada jovem e inovadora – conta Júnior.

Pelo restaurante passam por mês aproximadamente 2,5 mil pessoas. Mallu Montibeller de Souza, 30 anos, é uma delas. A produtora conta que um dia passou na frente e o espaço chamou a atenção. Uma pesquisa na internet a fez entender melhor do que se tratava e dali em diante o local ganhou uma nova frequentadora.

– Sempre observamos o ambiente, o atendimento, do que a gente gosta e o valor – explica.

Mallu e a família gastam quase R$ 2 mil em alimentação fora de casa mensalmente em decorrência da rotina agitada de trabalho.

– O poder aquisitivo da região atrai para esse tipo de estabelecimento, que por sua vez também melhoraram e tudo ajudou e fez com que o consumidor consumisse mais – reforça o presidente da Associação Blumenau Gastronômico, Develon da Rocha.

Crescimento do setor gastronômico impacta na economia de Blumenau

Um levantamento da prefeitura de Blumenau aponta que somente no ano passado os 851 estabelecimentos enquadrados nas categorias de bar e restaurante renderam aos cofres municipais R$ 4 milhões apenas em Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). O valor representa 1,65% da arrecadação do tributo na cidade. O percentual é reflexo da economia diversificada da cidade. Para ter uma ideia da importância do segmento, o setor que mais arrecada é de vestuário/confecção, que chega a 9%.

Se os números por si só demonstram a relevância desse tipo de investimento, é preciso considerar ainda o impacto na geração de empregos. De acordo com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Empreendedorismo, a partir de informações colhidas na Relação Anual de Informações Sociais (Rais), em 2008 o segmento de bares e restaurantes era responsável por 2.384 empregos formais em Blumenau. Em 2016, dado mais recente da Rais, o total chega a 3.279 pessoas.

A presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Blumenau (Sihorbs), Tatiana Honczaryk, se mostra confiante:

– Blumenau é uma cidade muito, muito propícia para negócios e investimentos e digo com segurança que quem apostar aqui vai colher seus frutos no futuro.

Foto:

Cenário demonstra que o crescimento não para

Um levantamento na Praça do Empreendedor de Blumenau aponta que de cada 22 novos negócios abertos nos primeiros cinco meses deste ano ao menos um é do segmento alimentício. O restaurante de Felipe Bragantino, 49 anos, e Germano Beduschi Neto, 39 anos, está entre eles. Os primos investiram R$ 300 mil em um empreendimento que demonstra a paixão que têm pelo churrasco. O espaço foi inaugurado em fevereiro e traz, além do desejo pessoal deles de terem um negócio próprio, um tipo de serviço que sentiam falta na cidade: uma casa especializada em carnes assadas no estilo dos argentinos e uruguaios.

– Sempre tive vontade de ter algo fora da advocacia, e hoje essa é a realização – conta Bragantino, que é também professor universitário no curso de Direito.

Quem também está otimista é a empresária Deise Camargo Machado, 32 anos. Junto com a irmã e um amigo, vai abrir uma forneria no segundo semestre. O estabelecimento vai fazer parte de um food park que está em construção na região Norte da cidade. Atualmente, o município conta com quatro parques nesses moldes.

Um projeto de lei na Câmara Municipal propõe a criação de uma Via Gastronômica. A iniciativa é dos vereadores Marcelo Lanzarin (MDB) e Bruno Cunha (PSB) e prevê o início da via na Rua Antônio da Veiga, seguindo pela Rua Almirante Tamandaré e terminando no final da Rua Alberto Stein. A ideia, segundo Lanzarin, é estimular a criação de políticas públicas que fomentem o desenvolvimento e aumentem o interesse da iniciativa privada.

A proposta é inspirada no que já ocorre em outras cidades. A expectativa é que a proposta vá à votação nesta semana.


 
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