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Emprego23/07/2018 | 05h30Atualizada em 23/07/2018 | 05h30

Blumenau fica entre as 12 cidades com melhor saldo de vagas no país

Apesar do saldo negativo nos últimos dois meses, Blumenau teve 3,8 mil novas vagas formais de janeiro a julho

Blumenau fica entre as 12 cidades com melhor saldo de vagas no país Luís C. Kriewall Filho/Especial
No Sine de Blumenau, perfil dos trabalhadores que procuram emprego é oposto: profissionais com perfil especializado e muitos com pouca experiência Foto: Luís C. Kriewall Filho / Especial

Blumenau fechou o primeiro semestre deste ano com saldo positivo na geração de empregos. A cidade encerrou o período com 3.836 novas vagas de trabalho formal. O dado é do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que leva em consideração as 32.094 admissões e as 28.258 demissões informadas ao Ministério do Trabalho. Com o resultado, o município ficou em segundo lugar no ranking estadual – atrás apenas de Joinville – e em 12º no levantamento nacional.

O desempenho positivo no semestre foi possível mesmo com saldos negativos em maio (-163) e junho (-519). O economista Nazareno Schmoeller diz que essa queda é reflexo de ajustes do mercado e que fazem tanto junho como julho terem números piores para a geração de vagas. 

Queda em maio e junho é normal 

Segundo o especialista, as indústrias contratam no primeiro semestre. A partir daí, o ritmo diminui, voltando a crescer em outubro e novembro, mas em proporção menor do que o observado  nos três primeiros meses do ano.

– Seria algo como um ajuste sazonal, que todos os municípios fazem. A nossa percepção é que as empresas anteciparam o ajuste sazonal para maio, devido à greve dos caminhoneiros – explica Schmoeller.

A última vez que Blumenau registrou saldo positivo em junho foi em 2013, com a geração de 31 novas vagas. De lá para cá, os dados fecharam no vermelho. Neste ano, porém, o desempenho é o terceiro pior dos cinco anos – com saldos negativos de 802 em 2015 e 1.267 em 2016. Para Nazareno, em 2018, o resultado se justifica pelo fechamento de uma empresa têxtil na cidade. O setor encerrou junho com menos 238 postos de trabalho.

– Não esperamos bons resultados para julho, que ainda vai ter reflexos da paralisação (dos caminhoneiros), mas acreditamos que a partir de agosto os saldos voltem a ser positivos – projeta.

A indústria da transformação é a responsável pelo bom resultado do semestre. O setor gerou 41,5% das oportunidades abertas de janeiro a junho em Blumenau. 

O levantamento comprova o que Luvyane Raitz Bortoli observa no dia a dia. Coordenadora de uma agência de empregos por onde passaram, em média, 80 pessoas por semana somente nos três primeiros meses do ano, ela aponta a metalurgia como uma área em crescimento e com bons salários, o que não tem sido identificado em outros ramos.

Agências da cidade têm mais de 600 postos em aberto, mas que exigem qualificação

Levantamento do Santa feito na semana passada, que consultou seis agências de emprego e o Sine, apontou a existência de ao menos 633 vagas formais em Blumenau. Quem está na rua em busca de uma colocação no mercado sente na pele o desafio de um mercado mais exigente e com remuneração, por vezes, mais baixa.

– Muitas empresas demitiram funcionários que estavam ganhando muito bem e abriram vagas com salários menores, porque não tinham mais condições de pagar – aponta a coordenadora Luvyane.

Essa movimentação do mercado fez surgir candidatos com um perfil muito especializado. Na outra ponta, entretanto, há um grupo de pessoas com pouca qualificação. São dois extremos, explica a supervisora do Sine de Blumenau, Sandra Regina Alves da Silva Schatz. O que se percebe no cotidiano é aumento na competitividade:

– Em 2015, cerca de três pessoas eram indicadas para concorrer a uma vaga. Atualmente, esse número varia entre 10 e 15 para a mesma oportunidade.

A recepcionista Luana Bedin gastou muita sola de sapato até encontrar um emprego. A jovem de 21 anos lembra os mais de 20 currículos que entregou pela cidade em busca de uma recolocação depois que perdeu o trabalho em um pet shop em abril.

– Pediam muita experiência e isso é difícil para quem está começando. Eu também não queria mais trabalhar em pet, queria vir para área administrativa e daí não conseguia – recorda a jovem, que conquistou a vaga atual por indicação de uma amiga.

Diretora de uma empresa que presta consultoria em recursos humanos há 11 anos, Leyla Berns identifica a mudança do perfil dos candidatos que as empresas buscam. Com um trabalho voltado a vagas táticas e estratégicas, ela percebe que o domínio de outros idiomas, até pouco tempo visto como diferenciais, hoje são obrigatórios. A cobrança por mais qualificação também aumentou, mas o primordial é a inteligência emocional, afirma a especialista.

– As empresas buscam pessoas curiosas, que queiram entender do negócio e ver onde podem ajudar – pontua.

Desempregada há seis meses, a professora de artes Eliane Albuquerque encontrou no artesanato uma fonte de renda para ajudar o marido a pagar as contas. Enquanto a nova oportunidade não surge, ela se qualifica. Aproveitou o Festival Internacional de Teatro Universitário de Blumenau (Fitub) para fazer imersão para professores sobre teatro na escola.

– Estou fazendo uma pós-graduação para buscar ampliar minha área de atuação – resume.

 

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