Futuros empreendedores do Vale do Itajaí são jovens entre 18 e 34 anos - Política e Economia - Santa

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Economia02/08/2018 | 07h00Atualizada em 02/08/2018 | 08h58

Futuros empreendedores do Vale do Itajaí são jovens entre 18 e 34 anos

Especialistas recomendam planejamento e atenção às transformações do mercado

Futuros empreendedores do Vale do Itajaí são jovens entre 18 e 34 anos Luís C. Kriewall Filho/Especial
Foto: Luís C. Kriewall Filho / Especial

Ser dono do próprio negócio está entre os quatro principais desejos dos brasileiros, segundo um levantamento do Sebrae. O mesmo relatório aponta que pessoas com idade entre 18 e 34 anos, representam 50,8% do público envolvido na abertura de novos negócios no país. Fazer o horário que melhor atende seu modelo de vida e ver os resultados renderem frutos para si e não para os chefes são alguns dos apontamentos feitos por jovens que escolheram o empreendedorismo em vez do emprego tradicional, com carteira assinada.

Atualmente, eles representam 60% de quem busca formação no Sebrae no Vale do Itajaí. Nos últimos três anos, ao menos 695 homens e mulheres passaram por algum curso para tirar projetos da cabeça. A proposta é auxiliar e ver se multiplicar o número de micro e pequenos negócios, que atualmente representam 98,5% do total de empresas do Brasil. São histórias como a de Carolina Scheeffer Stein. Com apenas 21 anos, a design de moda se uniu a amiga Aline Passetti, 26 anos, para juntas criarem uma marca de lingerie.

– Já tinha feito estágios, percebido como era trabalhar em grandes empresas e pensado em várias coisas, aí quando a Aline falou comigo, eu pensei: é isso que eu vou fazer – relembra.

A ideia do negócio nasceu do encantamento de Aline por peças íntimas diferenciadas e pelo desejo de ser dona da própria marca. O sonho encontrou companhia nos planos de Carolina. Enquanto uma terminava a graduação, a outra foi em busca de qualificação para empreender. Como frisa a orientadora de atendimento do Sebrae Blumenau, Fernanda Rosa Mazzi, os jovens saem da faculdade com o conhecimento técnico, mas precisam desenvolver outras competências essenciais para o empreendimento dar certo.

– A nossa recomendação é não tomar a atitude de investir sem planejamento. É importante saber se vale a pena ou não – destaca quem já viu muito dinheiro ser aplicado em negócios que não deram certo por falta de conhecimento prévio de mercado e de legislação.

A concretização do projeto das meninas ocorreu no início deste ano, quando a empresa começou a ganhar a forma. A primeira coleção, com cerca de 30 peças, foi lançada há poucos dias. Em quase sete meses de trabalho, as sócias investiram R$ 29 mil. A venda atualmente é exclusivamente on-line, mas há planos para abrir um atelier. Embora tenham feito uma pesquisa de mercado para compreender os hábitos de consumo de lingerie pela internet, elas identificaram a necessidade de um espaço físico, para que as mulheres possam conhecer os produtos. O comércio de vestuário, sobretudo o eletrônico, está no ranking dos três setores que o público do Sebrae Blumenau mais almeja e o primeiro em nível nacional. Completam a lista local confecção e consultoria.

Empreender está no DNA
Diferente do que percebia no ano passado, o desejo pelo negócio próprio não é mais reflexo das dificuldades de conseguir um emprego formal, conta Fernanda. Segundo ela, o perfil das pessoas que buscam essa alternativa tem a ver com vocação e visão estratégica de mercado. Maria Otávia Barbieri, 28 anos, e Gabriela Nöthen Siqueira, 24, têm na essência, o espírito empreendedor. Os pais das duas são donos dos próprios negócios e as incentivaram na decisão de empreender. Em agosto, o escritório de arquitetura delas completa um ano.

 Empreendedoras Maria Otávia Barbieri e Gabriela Nothen Siqueira
Foto: Luís C. Kriewall Filho / Especial

O trabalho começou pequeno, só com as duas, e agora conta com mais três funcionárias. A expectativa é ampliar. Com ao menos 30 obras em andamento, elas comemoram o sucesso e aplicam um modelo de gestão que acreditam ser um diferencial. Além do salário, por exemplo, as colaboradoras ganham gratificações por projeto concluídos.

O sucesso para as sócias é fruto de dedicação. São entre 12 e 14 horas de trabalho diariamente para fazer o escritório prosperar. Esse esforço, aponta a orientadora do Sebrae, é muito comum em quem já foi assalariado.

– É uma grande responsabilidade. Tem que ter muita vontade, ser um sonho, correr atrás, porque é muito fácil desistir – ressalta a dupla.

Onde buscar ajuda
O Sebrae é referência quando o assunto é abrir um micro ou pequeno negócio. Somente na unidade de Blumenau, cerca de 200 pessoas são atendidas semanalmente. Elas recebem orientação sobre os trâmites para formalizar uma empresa e recebem auxílio técnico. Gratuitamente, passam por ao menos três encontros, em que aprendem a montar um plano de negócios até chegar as duas consultorias disponibilizadas sem custo, uma na área de finanças e outra em marketing.

– Quando recebem orientação, com certeza, a chance de ter erros é menor. O plano de negócios, por exemplo, é solicitado por muitas instituições na hora de liberar crédito – afirma Fernanda.

Características empreendedoras:
- Busca de oportunidade e iniciativa
- Persistência
- Comprometimento
- Exigência de qualidade e eficiência
- Corre riscos calculados
- Estabelecimento de metas
- Busca de informações
- Planejamento e monitoramento sistemático
- Persuasão e rede de contatos
- Independência e autoconfiança

Recomendações dos especialistas

Ralf Marcos Ehmke, especialista em economia
Por motivo de oportunidade será sempre melhor empreender. Por isso mantenha um comportamento de observação constante em tudo que está a sua volta. Pense positivamente em riscos medidos e afaste o medo irracional em começar. Sonhar demasiadamente pode ser negativo, mas a dose certa é estimulante. Não existe hora boa ou ruim, pois até nas crises pode haver oportunidade, mas sem dúvida nos mercados que estão em crescimento e a oferta de crédito é boa, os empreendimentos aumentam em qualquer novo projeto, coisa que está para acontecer na retomada do crescimento mais forte. Leve em consideração que boas ideias resistem a qualquer cenário e comece.

Odilo Schwade Junior, professor de empreendedorismo
O primeiro ponto da jornada é olhar o mercado. Se estiver disposto a empreender, tem que analisar a oportunidade, falar com potenciais clientes, entender as necessidades e as dores e também se conectar com outros empreendedores para troca de experiências, se capacitar. É legal buscar pessoas que possam colaborar, futuros sócios que possam complementar o time com competências e conhecimentos.

 

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