40% dos crimes em SC não são registrados em BO, aponta pesquisa - Segurança - Jornal de Santa Catarina

Versão mobile

SEGURANÇA SC10/11/2016 | 18h32Atualizada em 10/11/2016 | 21h39

40% dos crimes em SC não são registrados em BO, aponta pesquisa

Praticamente 4 em cada 10 entrevistados que foram alvos de algum tipo de crime não comunicaram os fatos à polícia 

40% dos crimes em SC não são registrados em BO, aponta pesquisa Divulgação/Divulgação
Foto: Divulgação / Divulgação

Quatro a cada 10 crimes sofridos pelos catarinenses não foram registrados em Boletim de Ocorrência (BO). Isto foi o que revelou a pesquisa do projeto de extensão Focus, considerando apenas os entrevistados que disseram ter sido vítima de crime.

O motivo mais alegado pelo BO não ter sido feito é a descrença de que o registro traria algum resultado, conforme responderam 51,30% dos entrevistados. Mesmo entre aqueles que fizeram o boletim de ocorrência, a falta de esperança prevaleceu: mais de um terço sente que a polícia não fez nada (37,4%) e praticamente um em cada quatro entrevistados desconhece o resultado do trabalho policial (26,6%). 

Os crimes que mais resultaram em boletins de ocorrência foram os furtos e roubos de veículos e de residências. Nesses casos, pelo menos oito em cada dez vítimas comunicaram os fatos à polícia. Por outro lado, a maior parte das vítimas de delitos como bullying, chantagem e crimes virtuais disse não não ter procurado a polícia. 

Mestre em Ciência Jurídica, o professor do curso de Direito da Univali Fabiano Oldoni aponta duas formas de interpretação da pesquisa: a consulta expõe o entendimento da população de que o sistema criminal, a polícia e o judiciário não são instrumentos capazes de resolver as demandas, mas também revela o grau de interesse quanto aos pertences e valores envolvidos nos crimes. 

A tendência, exemplifica Oldoni, é de que os proprietários de veículos roubados façam o BO em função do seguro, o que não se repete em outras ocasiões. Uma consequência da omissão em relação aos BOs, diz o professor, é a chamada cifra negra. Ele se refere a crimes praticados que não entram para as estatísticas. 

Ainda assim, devido à falta de estrutura, o especialista entende que a polícia tem de priorizar casos mais graves.

—O sistema penal é como uma máquina feita para não funcionar adequadamente. Se todos os casos fossem investigados, o sistema entraria em colapso. Não há como culpar o delegado ou o policial porque eles estão amarrados, trabalham com estrutura precária — avalia. 

Participação comunitária

A maioria dos entrevistados (86,1%) na pesquisa feita pelo projeto de extensão da Furb disse entender que a comunidade também tem responsabilidade com relação à segurança, além das polícias e do Estado - por atribuição, cabe ao Executivo estadual se encarregar das funções de policiamento ostensivo (PM) e investigação (Polícia Civil).

Mas pelo menos sete em cada dez entrevistados (72,7%) responderam que não fazem parte e não conhecem alguém que participe de alguma associação comunitária de segurança.   

Escolhido em votação pelos catarinenses, o tema segurança será prioritário em 2016. Durante todo o ano, acompanharemos indicadores criados junto com especialistas na campanha Segurança SC - Essa Causa é Nossa. Você também pode participar desse movimento! Clique na imagem abaixo, acesse o site da campanha e saiba como. Em redes sociais, utilize a hashtag #SegurancaSC e compartilhe sua história sobre o tema.

Leia mais:
Acesse mais notícias sobre a segurança em SC
SC teve aumento de latrocínios e mortes violentas em geral em 2015
Números da PM indicam queda em indicadores de violência na Capital
Complexo da segurança pública catarinense será inaugurado somente em 2017
Complexo penitenciário de Itajaí passa de unidade modelo a centro da crise na segurança pública

 
 

Siga Santa no Twitter

  • santacombr

    santacombr

    SantaPedro Machado: a Chapecoense é uma unanimidade https://t.co/w9WYf5SyKn #LeiaNoSantahá 6 diasRetweet
  • santacombr

    santacombr

    Santa"Pode-se tentar calar o juiz, mas nunca se conseguirá calar a Justiça", reage Cármen Lúcia https://t.co/JZDSmNAMoY #LeiaNoSantahá 6 diasRetweet

Veja também

Jornal de Santa Catarina
Busca
clicRBS
Nova busca - outros