Gaúcho preso queria contrabandear armas para suspeitos de terrorismo - Segurança - Jornal de Santa Catarina

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Operação Hashtag03/11/2016 | 02h08Atualizada em 03/11/2016 | 02h08

Gaúcho preso queria contrabandear armas para suspeitos de terrorismo

"Aqui tem um comércio forte de munição, totalmente liberado, sem restrições", diz jovem morador de Morro Redondo, próximo a Pelotas

Gaúcho preso queria contrabandear armas para suspeitos de terrorismo Camila Domingues/Especial
Gaúcho preso em Morro Redondo tem fotografia com bandeira do Estado Islâmico no processo Foto: Camila Domingues / Especial

Um dos primeiros a se unir ao chat de admiradores do EI, o gaúcho Israel Pedra Mesquita é criador de galinhas e morador de Morro Redondo, pequeno município próximo a Pelotas. Apesar da vida no meio rural, é um dos mais atuantes na internet. 

Administra o grupo secreto Sharia no Brasil Já!, defensor da adoção da lei islâmica radical no país e que tem 4 mil membros. Num dos seus perfis no Facebook, identifica-se como "Mujahedeen (guerreiro) na empresa Estado Islâmico do Iraque e do Levante". Ele também tira fotos com uma bandeira do EI.

Num diálogo com Leonid El Kadre, em março, Israel se propõe a vender a casa para ajudar nos planos do grupo terrorista a ser montado. Pergunta quantos combatentes são necessários e também diz que, por residir no Sul, pode comprar armas no Uruguai.

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"Aqui tem um comércio forte de munição, totalmente liberado, sem restrições (...) Desde munição aos explosivos. Outra coisa que pensei: é uma fonte de renda para nos financiar, além dos saques e dos espólios", avisa o gaúcho.

Leonid elogia e diz que toda ideia é bem-vinda. Israel detalha os planos e chega a se oferecer para contatar ex-prisioneiros de Guantánamo (base dos EUA em Cuba), muçulmanos que buscaram refúgio no Uruguai.

"O irmão quer que eu localize os irmãos que estiveram em Guantánamo?", propõe, sem mencionar como conseguiria tal proeza.

Leonid diz que sim, mas não agora. Israel fala que praticou tiro com armas Winchester, calibre 22, pente para 15 tiros. Menciona possibilidade de prolongar o pente (mais capacidade de fogo) e usar luneta. "É como se 500 metros estivessem a 50 metros", descreve. Ele diz também, em e-mail a outro membro do grupo, que tem duas espingardas calibre 20 e 32.

Aquisição de pistolas chinesas na Bolívia

Em 24 de junho, Leonid afirma que ele e outro comparsa de assaltos sul-mato-grossense, o também mecânico Valdir Pereira da Rocha (Mahmoud), estão prestes a comprar pistolas chinesas para o grupo. Eles falam em adquirir duas pistolas 9 mm, com dois pentes cada e uma caixa de munição. São da marca Norinco (chinesa) e o conjunto é vendido por US$ 600 (cerca de R$ 1,9 mil) na cidade de San Ignácio, na Bolívia. Em 17 de julho, posta no grupo imagens de duas armas, como se fossem as duas chinesas que iria comprar. Fala em fazer ações para financiar a causa — interpretadas pela Polícia Federal como "assaltos" e diz que "um quinto será separado para a causa da Jihad".

Leonid desafia os demais integrantes do movimento a partir para a ação e pergunta se ainda há "corações de leão" no Brasil. Pede que os que não têm coragem deixem o grupo. A PF conclui que as pistolas foram compradas.

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A reação da PF e do Ministério Público

Com as fotos das armas supostamente compradas pelo grupo e afirmativas de Leonid e Valdir de que partiriam para a ação e, também, devido à proximidade da Olimpíada, a PF decide agir com firmeza. Pede à Justiça e consegue, em 21 de julho, a prisão temporária de 12 pessoas vinculadas ao grupo que apoiava e cogitava atentados terroristas.

Mais tarde, o número de prisões é ampliado para 16. Desses, sete continuam presos e um, Valdir, acabou assassinado no presídio. Investigações indicam que ele teria morrido em represália por ter participado da execução de um ex-parceiro de assaltos.A ação preventiva da PF recebe elogios de diversos serviços antiterror, incluindo a Interpol (Polícia Internacional).

Ao todo, são denunciadas 16 pessoas pelos crimes de associação criminosa (pena de um a três anos de prisão), por "promover atuação de organização terrorista" (cinco a oito anos de reclusão) e um deles — Leonid El Kadre — por "recrutamento com o propósito de praticar ato de terrorismo" (pena de 12 a 30 anos de reclusão). Alguns também são denunciados por "corrupção de menores" (de um a quatro anos de prisão). "Todos estimulavam o discurso de ódio e violência nas conversas", ressalta a denúncia do procurador da República Rafael Miron. 

O juiz aceitou a denúncia e negou que os presos tenham sido coagidos, como alegam seus defensores.



 
 

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