Delegado ouvirá mais testemunhas sobre suposto abuso sexual em Uber em Florianópolis - Segurança - Jornal de Santa Catarina

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Polícia18/01/2017 | 21h40Atualizada em 18/01/2017 | 21h55

Delegado ouvirá mais testemunhas sobre suposto abuso sexual em Uber em Florianópolis

Funcionários da UPA Norte e o amigo da vítima que chamou o carro serão ouvidos

O delegado Paulo Caixeta, titular da Delegacia da Mulher de Florianópolis, irá tomar nesta quinta-feira mais depoimentos sobre o suposto caso de abuso sexual acontecido na noite de domingo, no estacionamento da UPA Norte, em Canasvieiras, a bordo de um veículo a serviço da Uber. Segundo a vítima, uma garota de 20 anos, o motorista a atacou dentro do carro enquanto sua irmã, de 23, estava dentro da unidade procurando por uma cadeira de rodas para retirá-la do carro.  

O caso foi registrado na 7ª Delegacia de Polícia ainda no domingo, e depois assumido por Caixeta, delegado titular da 6ª DP, especializada em crimes contra a mulher. Serão ouvidos servidores que trabalham na UPA e o amigo das garotas que teria feito o pedido do Uber para elas, ainda na praia Brava, onde participaram de uma festa. Em nota divulgada à imprensa, a empresa disse que já afastou o motorista do serviço e que acompanha as investigações. 

No Boletim de Ocorrência, a que a reportagem teve acesso e que foi registrado pouco tempo depois do acontecido, a vítima contou que "enquanto estava sozinha com o autor no interior do veículo, o autor ameaçou a comunicante dizendo que iria pegar a sua irmã. O autor molestou a vítima sexualmente e a mandou sair do veículo".  

Na terça-feira, o suspeito, que tem 43 anos e é natural do Rio Grande do Sul, se apresentou para prestar depoimento ao ser intimado por telefone. Ele negou o crime e disse que ajudou a vítima a sair do carro com a ajuda de outras pessoas.  

O delegado conta que a equipe de investigação esteve no local e constatou que a câmera de videomonitoramento da UPA não está funcionando. Foi feita então uma solicitação à Polícia Militar, que possui equipamentos nas ruas, para ver se algum registrou a chegada do carro à unidade. 

– Considero da mais alta importância essa diligência, para esclarecer a forma como a garota saiu do carro: se por vontade própria, se com ajuda ou se jogada para fora – afirma Caixeta. 

Segundo o responsável técnico da UPA, Carlos Renato da Silva, por volta de 21h30min de domingo, uma jovem "com as mesmas características" do caso deu entrada no local junto com a irmã. Segundo o relato, no momento em que as duas chegaram não havia nenhum homem com elas. 

— Uma menina chegou aqui junto com a irmã. Ela estava com sinais de embriaguez e se queixava de ter sido abusada. Ela foi medicada pois estava passando mal e os profissionais orientaram elas a irem até uma unidade que atende casos de abuso — contou Carlos. 

Em entrevista por telefone, a mãe da vítima, que também prefere não se identificar, afirmou que a filha foi drogada pelo homem e que cobrou dos servidores da UPA um atendimento melhor para a filha. 

– A minha mais velha me ligou dizendo que estava transtornada, que a irmã tinha sofrido abuso e que a UPA não tinha ajudado elas. Eu cheguei lá e perguntei para eles por que não prestaram socorro para a minha filha e eles responderam que foi porque tinha um baleado na frente – disse. 

Ainda segundo a mãe, o homem teria forçado sua filha a tomar um comprimido antes de abusar sexualmente dela. 

– Ele deu um comprimido para ela e ela passou a noite inteira sem saber quem ela era. Ele forçou ela a engolir o comprimido, apertando o pescoço dela - ficaram marcas no pescoço -, tirou a parte de cima do biquíni dela, arrancou o short dela para baixo e tocou nas partes íntimas dela com força, machucando a minha filha. Depois jogou ela que nem lixo para fora do carro.

Em nota, a Uber disse que já afastou o motorista do serviço e que acompanha as investigações.  

— O motorista parceiro está suspenso da plataforma até que sejam concluídas as investigações pelas autoridades competentes. A Uber está à disposição para cooperar com as investigações, segundo a lei — disse a empresa. 

A reportagem questionou se a empresa tem prestado algum tipo de assistência à família das jovens e quais procedimentos serão adotados a partir de agora com relação ao caso. As perguntas não foram respondidas.

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