Estado admite disputa entre facções e governador garante: "Não estamos deixando para depois" - Segurança - Jornal de Santa Catarina

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Segurança SC24/01/2017 | 13h40Atualizada em 25/01/2017 | 08h07

Estado admite disputa entre facções e governador garante: "Não estamos deixando para depois"

Florianópolis teve 18 assassinatos nos primeiros 24 dias de janeiro, o que fez a Polícia Civil reforçar a Delegacia de Homicídios

Estado admite disputa entre facções e governador garante: "Não estamos deixando para depois" Betina Humeres/Agencia RBS
Colombo e Grubba estiveram na formatura de policiais civis na manhã desta terça-feira Foto: Betina Humeres / Agencia RBS

O aumento de assassinatos em Florianópolis nos primeiros dias de 2017 levou a Secretaria de Segurança Pública (SSP) a fazer mudanças nas investigações dos homicídios na Capital catarinense. Antes da formatura de 114 policiais civis na manhã desta terça-feira no Teatro Pedro Ivo, no Centro Administrativo, o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo (PSD) e o secretário de Segurança Pública, César Grubba, falaram sobre o crescimento nas estatísticas e falaram que o Estado já reagiu ao começo de ano violento. Além disso, ambos admitiram que SC viver uma disputa entre facções.

Até esta terça, 18 pessoas foram assassinadas na Capital. No mesmo período doa no passado foram cinco. Na sua maioria, as mortes deste ano são ligadas a disputa pro espaços entre grupos criminosos. Isso fez com que a Delegacia de Homicídios da Polícia Civil tivesse um reforço. Oito novos servidores vão se juntar ao grupo que já atua na unidade. O delegado Eduardo de Mattos, que estava no Norte da Ilha, deve coordenar as investigações ao lado do titular da área, Ênio Mattos.

No ato desta terça-feira, 114 policiais civis se formaram e fizeram seu juramento Foto: Betina Humeres / Agencia RBS

Leia abaixo a entrevista com o governador e o secretário:

Entrevista com o governador Raimundo Colombo

"A reação está presente todos os dias"

O senhor já decidiu quando deve fazer novas contratações de policiais?
A segurança pública tem se mostrado no Brasil, e também em Santa Catarina, uma necessidade. É uma exigência da sociedade, temos que estar presentes. Estamos investindo muito em tecnologia, aumentando nossa eficiência. Mas não tem outro jeito, temos que aumentar o efetivo também. Então a nossa programação para 2017 é fazer uma chamada de policiais do concurso já existente para aumentar nossos efetivos. A gente quer ver a movimentação da economia, a sinalização do mercado, porque há uma questão de equilíbrio e responsabilidade fiscal. Todos nós estamos vendo a economia brasileira e as dificuldades, então é uma responsabilidade. Mas a decisão de chamar nós já tomamos. E aí nós vamos avaliar o número e a data.

Em que momento isso vai se definir?
Acho que vamos tomar essa decisão entre março e abril.

Começamos o ano com muita violência no Estado, aqui em Florianópolis tivemos 18 homicídios. Como senhor tem acompanhado isso e o que o senhor pediu ao secretário de segurança?
Estamos aumentando nosso trabalho porque essa é uma realidade presente na maioria dos Estados. E os sintomas são claros, há uma disputa de território, há uma questão de crime organizado, um contra o outro. Isso faz com que nossos números tenham piorado nesse começo de ano. Também, em que pese a gente ser um dos Estados menos violentos do Brasil, não há quem não enxergue o que está ocorrendo aqui. Inclusive neste final de semana no Norte da Ilha e lá em Joinville também com os problemas. A gente tem acompanhado, temos um grupo que monitora diariamente e avalia essas ações.

A gente pode esperar uma reação nos próximos dias, podemos esperar uma melhora?
Mas a reação está presente todos os dias. Para se ter uma ideia, foram feitas 18 prisões no final de semana no Norte da Ilha, apreendidas inúmeras armas. Estamos trabalhando ao máximo, dando o máximo de si, não estamos deixando para depois, estamos fazendo agora.

Para bombeiros, o senhor tem uma expectativa de contratação diante de um quadro que está reduzindo?
Sinceramente, nossa prioridade, pelas condições financeiras do Estado, será na questão da PM. Não temos condição de chamar os excedentes dos bombeiros pela falta de concurso em aberto, embora reconheça as circunstâncias (após a entrevista, a assessoria de imprensa do governo disse que fará um novo concurso). Nesse momento nossos esforços serão concentrados na questão da PM.


Entrevista com o secretário da SSP, César Grubba

"Temos trabalhado com muita inteligência"

Com a formatura dos policiais, está definido para onde eles vão?
Já está definido. Quando teve a formatura da primeira turma e escolha de vagas, eles já escolheram vaga também, então já está definida as cidades onde vão atuar os 106 agentes e oito delegados da Polícia Civil.

Eles começam a atuar imediatamente?
Imediatamente. Já no mês de dezembro eles estavam em operações também na escola da Acadepol fazendo operações.

Qual é a previsão de novas contratações? Governador disse que deve avaliar em março. Qual sua expectativa?
É boa. É boa porque é necessário. Temos que fazer inclusão de novos efetivos, principalmente de soldados da Polícia Militar. Temos que pedir ao Grupo Gestor a abertura de concurso de escrivão da Polícia Civil porque não temos nenhum escrivão para nomear. Agentes, delegados e soldados temos remanescentes que podemos nomear imediatamente, mas precisamos de concurso para peritos do IGP e novos bombeiros militares.

O senhor deve chamar excedentes da PM e da Polícia Civil?
Para nomeação imediata são os excedentes da Polícia Civil e da Polícia Militar.

A gente começou um ano bastante violento, principalmente em Florianópolis, onde tivemos 18 homicídios. Como as polícias tem reagido a isso, o que o senhor tem pedido a eles?
Pedi muito empenho e muita dedicação para combate a essa criminalidade. É o tráfico, guerra declarada, são duas facções guerreando entre si. Estamos dando resposta, tanto que nesse final de semana foram 18 prisões, apreensão de 11 armas de fogo, e vamos fazer um reforço na Delegacia de Homicídios da Capital para acelerar a resolutividade das autorias desses crimes de homicídios.

Em Joinville tivemos aumento da criminalidade no ano passado. Como vocês pretendem controlar as estatísticas na cidade?
Na verdade, em Joinville nós freamos aquela curva ascendente que tinha no ano passado. Embora a gente tenha fechado o ano com dois homicídios a mais do que o mesmo período do ano anterior, Joinville estreou a curva descendente e agora estamos com um homicídio a mais do que o mesmo período do ano passado.

Depois desse começo de ano, podemos esperar uma melhora?
A perspectiva de 2017 para todos os Estados não é uma muito boa, a criminalidade está muito acentuada. Temos que dedicar nossos máximos esforços das polícias para combater essa criminalidade.

A gente vive uma guerra de facções no Estado, tanto dentro dos presídios como fora. O Estado vai conseguir vencer essa guerra?
Vai, com certeza. Temos trabalhado com muita inteligência. A União tem que reforçar o contingente nas fronteiras do Estado com outros países porque é a porta de entrada de armas e drogas. Só vamos conseguir vencer essa guerra contra as facções com muita inteligência, trabalhando com o sistema penitenciário e fechando a entrada de drogas e armas.

 
 

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