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Rebeliões23/01/2017 | 14h54Atualizada em 23/01/2017 | 16h01

Governo investiga suposto canibalismo em presídio de Alcaçuz

Penitenciária vive uma guerra entre duas facções rivais desde o dia 14 de janeiro, quando pelo menos 26 presos foram assassinados e parte da prisão passou a ser controlada pelos detentos

Governo investiga suposto canibalismo em presídio de Alcaçuz ANDRESSA ANHOLETE/AFP
Penitenciária de Alcaçuz é palco de rebeliões recentes. No dia 14 de janeiro, 26 presos morreram Foto: ANDRESSA ANHOLETE / AFP
Agência Brasil
Agência Brasil

A Agência Brasil teve acesso a dois vídeos em que presos da penitenciária de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte, dizem estar assando partes de corpos humanos em fogueiras para consumo. O governo reconhece que as imagens foram feitas no presídio, mas afirma que não tem registro desse tipo de crime, apesar de denúncias informais de canibalismo feitas por familiares de detentos à imprensa.

A penitenciária vive uma guerra entre duas facções rivais desde o dia 14 de janeiro, quando pelo menos 26 presos foram assassinados brutalmente e boa parte da prisão passou a ser controlada pelos detentos. Até agora, as forças policiais controlam a área externa de Alcaçuz e fazem intervenções pontuais no local para realizar buscas por corpos e construir um muro de contêineres que separa os pavilhões controlados pelos grupos rivais.

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Em um dos vídeos, um preso aparece queimando pedaços de carne e pele que eles dizem na imagem ser de corpo humano, espetados em um vergalhão. Um deles avisa: "Churrasco de PCC". Em seguida, a câmera se volta aos detentos, que não têm receio de mostrar o rosto. Eles informam que são do Pavilhão 2, controlado pelo Sindicato do Crime do RN, e estão vingando mortes ocorridas no Pavilhão 4, supostamente cometidas por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Eles parecem se dirigir diretamente aos rivais, enviando recados de vinganças e retaliação.

Em outro vídeo, um antebraço é colocado no espeto enquanto um preso narra os acontecimentos: "Estamos aqui em mais um dia de guerra na penitenciária de Alcaçuz", começa a narração, enquanto outros espetam a carne com facões. Ao fundo, dezenas de detentos se aproximam e o que parece ser um corpo mutilado é arrastado, amarrado com um lençol. "Vai tocar fogo agora. Essa é a realidade", volta a dizer o narrador.

As esposas de detentos que fazem vigília na porta do presídio já tinham informado à reportagem que receberam notícias sobre suposto canibalismo na unidade, mas nenhum indício havia sido divulgado. Em ambos os vídeos, não é exibida qualquer cena em que os presos de fato comam os pedaços.

A fogueira utilizada para assar os corpos no pátio da penitenciária já havia sido citada pelo diretor do Instituto Técnico-Científico de Perícia (Itep), Marcos Brandão. Ele informou, por telefone, que várias delas foram encontradas na área. 

— Ainda vamos examinar se nessas fogueiras há algum material humano, porque lá realmente não deu para verificar. Recolhemos um material que vamos analisar para saber se é corpo. A gente ainda vai analisar, não estou dizendo nada conclusivo — disse no domingo.

A assessoria de comunicação da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc) do Rio Grande do Norte confirmou que as imagens foram feitas na penitenciária de Alcaçuz, "certamente na primeira rebelião", ocorrida no dia 14 de janeiro. O órgão informou ainda que duas intervenções já foram realizadas no interior do presídio em busca de mortos, e que não há registro de canibalismo.

"Como os equipamentos de bloqueio de sinal de celular foram danificados na rebelião, os rebelados usam informações, via celular, para aterrorizar a população. Os equipamentos serão restabelecidos tão logo haja condições para garantir o trabalho dos técnicos", informa a nota enviada à Agência Brasil.

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*Agência Brasil

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