Deic passa a focar o combate ao tráfico de cocaína em Santa Catarina - Segurança - Jornal de Santa Catarina

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Segurança07/02/2017 | 15h37Atualizada em 07/02/2017 | 17h58

Deic passa a focar o combate ao tráfico de cocaína em Santa Catarina

Em 2016, foram apreendidas cinco toneladas de maconha e apenas 200 gramas de cocaína em Santa Catarina

Deic passa a focar o combate ao tráfico de cocaína em Santa Catarina Deic/Denarc / Divulgação/Divulgação
Apreensão de maconha de 4,3 toneladas feita em Rancho Queimado em outubro do ano passado Foto: Deic/Denarc / Divulgação / Divulgação

Depois da apreensão de cinco toneladas de maconha no ano passado em Santa Catarina, a Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc) da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic) vai focar o trabalho de 2017 no tráfico de cocaína, que em 2016 teve apenas 200 gramas aprendidas pela equipe especializada no combate a entorpecentes. Os investigadores pretendem desarticular os grupos responsáveis por trazer a drogas de outros países para SC.

Linhas iniciais de investigação apontam que o produto vem do Peru e da Bolívia. O transporte é feito por via terrestre, mas existe a possibilidade do uso de aviões e pistas clandestinas.

— Não vamos deixar de investigar o tráfico de maconha, mas pretendemos aumentar a apreensão de cocaína, porque ela dá um lucro grande para as organizações criminosas. Vamos tentar desarticular essas ações trabalhando junto com a divisão de investigação da lavagem de dinheiro — explicou o delegado Pedro Henrique Mendes.

Com a grande quantidade de maconha apreendida em 2016, a Denarc conseguiu traçar as principais rotas do tráfico que abastecem Santa Catarina. Um dos motivos para os números elevados, segundo reportagem do DC de junho de 2016, é a safra do produto no Paraguai. A maior parte das drogas, segundo a investigação, parte da fronteira do Brasil com o Paraguai, em Ponta Porã (MS).

De lá vieram 4,4 toneladas apreendidas no ano passado. O maior carregamento foi recolhido em outubro, na BR-282, em Rancho Queimado. Em um caminhão, a droga estava escondida sob pacotes de lã. O motorista do veículo e dois homens que serviam de batedores em carros para a carga foram detidos e continuam presos. A carga estava avaliada em R$ 8 milhões.

Os pacotes recolhidos revelaram para a Denarc que as drogas seriam divididas na Grande Florianópolis. Em cada embrulho havia um adesivo que identificava a localidade para onde o produto seria enviado. Para dificultar ainda mais a localização dos entorpecentes e evitar o reconhecimento dos cães farejadores, os traficantes passaram graxa ao redor dos produtos.

As investigações sobre o tráfico de maconha revelaram que parte das cargas apreendidas havia sido encomendada por organizações criminosas. A droga confiscada em Rancho Queimado foi um exemplo disso. Naquele caso, um grupo de traficantes havia comprado os produtos em consórcio. Um dos pontos que chamam atenção é que presos ajudam a intermediar a negociação de dentro dos próprios presídios.

As outras grandes apreensões de maconha feitas pela Deic ocorreram em Biguaçu (100 kg), Bom Retiro (100 kg), Balneário Piçarras (100 kg), Garuva (250 kg) e Florianópolis (300 kg).

Dois Estados no roteiro do transporte da droga

Segundo o delegado da Denarc, a maconha que sai do Paraguai passa normalmente por três Estados até chegar em Santa Catarina: Mato Grosso do Sul e Paraná. Nesta última, fica o segundo ponto mais usado para a entrada da droga que tem destino SC, a fronteira entre Brasil e o Paraguai em Foz do Iguaçu e Ciudad Del Este.

— As rodovias mais usadas para o transporte são as BRs 277, 101 e 282. Por isso a Polícia Rodoviária Federal tem sido essencial para nossas apreensões — destacou Mendes.

Drogas sintéticas e cigarros entre as apreensões

Além da maconha e da pequena quantidade de cocaína, a Denarc recolheu 260 mil carteiras de cigarro contrabandeados em 2016. Segundo o delegado, o carregamento é avaliado em R$ 1 milhão e, da mesma forma que os entorpecentes, financia o crime organizado. Em Florianópolis, em outubro do ano passado, sete pessoas foram presas com 5,6 mil comprimidos de ecstasy. O produto era vendido por uma quadrilha que comprava de fornecedores estrangeiros.

 
 

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