Por que o governo federal teme efeito cascata na paralisação dos PMs  - Segurança - Jornal de Santa Catarina

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Espírito Santo09/02/2017 | 19h21Atualizada em 09/02/2017 | 19h21

Por que o governo federal teme efeito cascata na paralisação dos PMs 

Planalto admite receio de que a "greve branca" de policiais capixabas seja estendida a outros Estados

Por que o governo federal teme efeito cascata na paralisação dos PMs  Dayana Souza/Especial
No Espírito Santo, desde o último sábado, familiares impedem saída dos policiais dos batalhões Foto: Dayana Souza / Especial

O Palácio do Planalto monitora com preocupação a greve da Polícia Militar do Espírito do Santo. Existe o receio de que a forma encontrada para provocar a paralisação capixaba, com as famílias barrando a saída dos policiais dos batalhões, seja adotada em outros Estados.

— Se esse modelo do Espírito Santo se espalhar, será um caos. Rio de Janeiro e São Paulo preocupam bastante — descreve um auxiliar do presidente Michel Temer.

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Entre março e maio de 2014, em efeito cascata, houve greves das polícias militares do Maranhão, Bahia, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Ceará. Em 1º de setembro do ano seguinte, no Rio Grande do Sul, a chamada "greve branca", com familiares bloqueando portões, foi adotada em cerca de 30 quartéis, como forma de protesto contra o parcelamento de salário.

Presidente da Associação Beneficente Antonio Mendes Filho (Abamf), que representa soldados da Brigada Militar, e da Associação Nacional de Entidades Representativas de Policiais Militares e Bombeiros Militares (Anerbm), Leonel Lucas vê com preocupação a situação dos policiais militares no país, a partir da paralisação no Espírito Santo.

— Já temos alguns outros Estados discutindo esse tipo de movimentação. Em Pernambuco, por exemplo, estão cogitando paralisar durante o Carnaval. Em Alagoas, também há movimentação parecida — disse.

Em relação ao Rio Grande do Sul, Lucas, em princípio, não cogita paralisação por influência da situação vivida no Espírito Santo. Afirma, porém, que os PMs já discutiam formas de protesto, caso sejam atingidos por medidas do pacote anunciado pelo governo estadual no final do ano passado, e que ainda não foram votadas pela Assembleia Legislativa.

— Estamos conversando com o Executivo e o Legislativo. Se não forem retirados do projeto artigos que retiram dos PMs entre 15% e 25% pagos por tempo de serviço, não descarto nada — diz.

O presidente da Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar de São Paulo, Wilson Moraes, também demonstra preocupação.

— Estamos entre os piores salários de policiais militares de todo o país. Procuramos mediar a situação, mas é preciso haver coerência dos dois lados: das famílias, para que não repitam o que está ocorrendo no Espírito Santo, e do governo, que precisa entender que está batendo o desespero devido aos baixos salários.

Em São Paulo, efetivo é de 100 mil PMs

De acordo com Moraes, o último reajuste concedido aos PMs paulistas foi em 2014, pouco antes da Copa do Mundo.

_ Tenho receio de um efeito dominó, com as paralisações se espalhando por outros Estados. Principalmente aqui em São Paulo. No Espírito Santo, são cerca de 10 mil PMs. Aqui, são 100 mil.

No Rio de Janeiro, onde o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) se comprometeu a pagar até o próximo dia 14 os salários dos policiais com o reajuste de até 10,22%, negociado em 2014, o presidente da Associação Cabos Soldados Polícia Militar, Vanderlei Ribeiro, se opõe a qualquer tipo de paralisação dos PMs.

— Temos de nos manifestar, mas sem radicalismo. No Rio de Janeiro, o índice de criminalidade é muito alto. Não podemos colocar a cidade em risco — diz.

Salário inicial de PM

Rio Grande do Sul — R$ 3 mil

São Paulo — R$ 2,99 mil 

Rio Grande do Norte — R$ 2,9 mil

Sergipe — R$ 2,8 mil

Espírito Santo — R$ 2,64 mil

Rio de Janeiro — 2,5 mil

Fonte: associações representativas de nível médio das corporações

 
 

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