Criador da Delegacia de Homicídios vê perda de controle contra a violência em Florianópolis - Segurança - Jornal de Santa Catarina

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ENTREVISTA26/04/2017 | 17h43Atualizada em 26/04/2017 | 17h43

Criador da Delegacia de Homicídios vê perda de controle contra a violência em Florianópolis

Ex-chefe da Polícia Civil, hoje deputado estadual, faz críticas à atual gestão e elenca medidas para o Estado conter a violência 

Criador da Delegacia de Homicídios vê perda de controle contra a violência em Florianópolis Alan Pedro/Agencia RBS
Deputado Maurício Eskudlark, ex-delegado geral da Polícia Civil Foto: Alan Pedro / Agencia RBS

Responsável pela criação da Delegacia de Homicídios em Florianópolis em 2007, o deputado estadual Maurício Eskudlark (PR), ex-chefe da Polícia Civil de Santa Catarina, avalia o quadro da escalada da violência na Capital como preocupante e de perda do controle. Para ele, a crise exige comando firme e o secretário da Segurança Pública, César Grubba, deve tomar a frente em relação às ações que estão sendo tomadas.

Em entrevista ao DC na tarde desta quarta-feira, Eskudlark, que se aposentou da polícia em 2010, disse que o Estado deixou crescer as facções criminosas, fez críticas à legislação penal e em relação a algumas medidas tomadas pelo comando da Polícia Civil. Confira:

Como está vendo a crise na segurança, com recorde de homicídios, tiroteios e atentados em Florianópolis?
Vejo com preocupação. Nossos índices fugiram a qualquer tolerância, do controle, se comparar com outros Estados, São Paulo e outras capitais. Pela população da cidade, o índice é altíssimo.

Por que se chegou a esse resultado (76 mortes violentas em 2017)?
Acho que se deixou esses PCC, grupos criminosos aí, crescerem sem acompanhamento aliado ao problema da nossa legislação, que é muito benevolente, que faz com que a maioria entre e saia (da cadeia). Na verdade, está se formando um Exército aqui fora de marginais comandados por aqueles que estão dentro dos presídios.

O que está faltando no combate às facções criminosas em SC?
Entendo que precisaríamos de mais vagas no sistema prisional, um entendimento com a Justiça de que todos esses criminosos envolvidos com facção, roubo e tráfico não fossem liberados tão facilmente como estão sendo e a polícia continuar agindo, identificar, pedir prisões, buscas. Estamos precisando de um comando firme, a população está precisando de alguém que assuma e diga 'ó, nós estamos fazendo, e vamos fazer isso, isso e isso'. Acho que o secretário Grubba (de Segurança Pública, César Grubba) deveria tomar a frente nesse posicionamento com a imprensa e com a população e as instituições através dos trabalhos, monitorando e tendo o controle.

O senhor criou a delegacia de homicídios da Capital em 2007, em um momento também de crise, com mais de 100 homicídios ao ano. Houve redução em alguns anos e agora o número voltou a crescer. Por quê?
Acho que é um pouco de perder o controle. Um amigo meu, a filha dele foi assaltada no sábado. Ele então foi na Trindade, na 5ª DP, que estava fechada, depois na 1ª DP, no Centro, a principal delegacia do Estado, também estava fechada, o que é um absurdo. Ele só conseguiu registrar o "BO" no domingo de manhã. Tem que aumentar o efetivo da homicídios, colocar mais delegados, dar mais condições. Na minha época, criamos também a Cope (Coordenadoria de Operações Policiais Especiais), que estava permanentemente à disposição da delegacia de homicídios para atender ocorrência. Hoje acabaram com a Cope, mandaram um policial para cada DP, o que é um absurdo. Os próprios policiais estão à mercê (dos bandidos). Se um policial precisar de socorro hoje na Polícia Civil ele tem que chamar a PM, porque não tem um grupo especial que dê essa resposta rápida. Além do que, a Cope dava batidas nesses locais onde está havendo conflitos.

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