"Fariam isso no momento em que a PM não estivesse ali", diz diretor da Civil sobre chacina na Costeira - Segurança - Jornal de Santa Catarina

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Entrevista06/04/2017 | 10h22Atualizada em 06/04/2017 | 11h31

"Fariam isso no momento em que a PM não estivesse ali", diz diretor da Civil sobre chacina na Costeira

Para delegado Verdi Furlanetto, bandidos utilizaram de oportunidade para tomar pontos de drogas e dominar o Morro da Costeira

"Fariam isso no momento em que a PM não estivesse ali", diz diretor da Civil sobre chacina na Costeira Polícia Civil/SC / Divulgação/Divulgação
Delegado Verdi Furlanetto, diretor da Polícia Civil na Grande Florianópolis Foto: Polícia Civil/SC / Divulgação / Divulgação

Mesmo sendo notório entre delegados que a prisão dos líderes do tráfico na Costeira na semana passada pudesse desencadear consequências na localidade, como as mortes da noite de quarta-feira, o comando da Polícia Civil na Grande Florianópolis avalia que os bandidos aproveitaram a oportunidade para agir e tomar o lugar dos que haviam sido presos.

Ou seja, praticaram a violenta invasão no momento em que a Polícia Militar não estava por perto. É o que afirma o diretor da Polícia Civil na Grande Florianópolis, delegado Verdi Furlanetto nesta entrevista ao DC:

Houve mortes na Costeira e carros incendiados em Florianópolis na noite de quarta. O que aconteceu de fato?
Os carros queimados são para tirar a atenção da polícia, inclusive o caminhão na Via Expressa. A operação da Decod (Delegacia de Combate às Drogas), recolheu os "cabeças" do tráfico (na Costeira), então, outra facção se dirigiu até lá para tentar tomar (o lugar deles), matar aqueles que estariam ali para dominar o morro. Dois foram presos, e a investigação continua. Nas redes sociais, foi divulgado de onde seriam (os autores da chacina), mas não podemos adiantar oficialmente.

A polícia tinha informação da inteligência de que outro grupo poderia tomar os pontos de tráfico? Não seria possível evitar essa chacina?

Na realidade, eles fariam isso no momento em que a Polícia Militar não estivesse ali, porque a PM faz a prevenção. Para esses ataques e homicídios, eles se utilizam de oportunidade. No momento em que a polícia saiu dali, eles agiram.

Florianópolis tem quase 60 homicídios este ano. O que está acontecendo em geral? Vocês estão satisfeitos com o resultado (das investigações)?
Em relação à Polícia Civil, nós estamos satisfeitos com o resultado das investigações, falando sobre o índice de resolução. É um dos mais altos do Brasil.

Mas esse índice vem caindo bastante nos últimos anos.
Ele foi retomado. No ano passado, houve uma queda, mas agora tem retomado. Está em 55% dos casos resolvidos. Temos que levar em consideração que o salto dos homicídios é em decorrência dos conflitos entre facções, é uma guerra declarada que começou lá atrás, no Amazonas, na penitenciária, se refletiu também no Rio Grande do Norte e foi se espalhando para o Brasil todo. Aqui nada mais é do que um reflexo de algo entre os criminosos. Eles matam uns aos outros, e a Polícia Civil está fazendo o trabalho dela: descobrir a autoria e prender – ontem foram dois presos. Vi a reportagem com a delegada Ester e o delegado Atílio (publicada no final de semana, quando os dois policiais já previam esses novos confrontos na Costeira em razão das prisões). (Que ia acontecer) Isso, todo mundo já sabia. Quando se retira o poder lucrativo de determinado lugar, outros vão querer invadir.

Mas diante dessa situação, não seria o momento de uma integração, um plano maior para conter essa criminalidade?
A integração existe. Existe uma troca muito grande de informação entre as polícia Civil e Militar, que tem diversas informações. Há diálogo entre as inteligências.

Por que, na sua opinião, os homicídios não estão cessando, dando trégua ao menos?
Porque existe essa guerra declarada entre eles.

Há ordem de lideranças que estão em presídios nesse sentido, para que não parem?
Não tenho como falar isso, não posso. O fato notório é que, até antes, no começo do ano, eu evitava falar em facção criminosa, evitava o termo, usava grupos rivais, mas hoje já está tão notório isso...

Que saída o senhor aponta para voltar a tranquilidade na Capital?
A saída é a Polícia Civil continuar diuturnamente acompanhando, por meio da inteligência e das suas próprias investigações, para prender essas pessoas das organizações criminosas. Temos a frente dos responsáveis pelos homicídios, a do tráfico e a de investigar as facções criminosas.

Alguma chance da Deic ajudar em reforço na investigação?
Em relação à Deic, eu peço que faça contato com o diretor da Deic.

Mas o senhor vê necessidade de apoio diante da falta de efetivo e até da complexidade da investigação?
Em relação à falta de efetivo, a gente deixou a Delegacia de Homicídios um pouco mais robusta do que no passado, em relação a veículos e material humano. A Deic tem a investigação dos crimes organizados e quem pode responder é o delegado Bini (Adriano Bini, diretor da Deic).

Alguma reunião, até em nível de secretaria (de Segurança), mobilização de comando para discutir essa questão da Capital?
Em relação à secretaria teria que perguntar a eles. Estamos em constante diálogo. A nossa conversa não termina, estamos sempre nos atualizando com a delegada Ester, o delegado Ênio, o delegado-geral, e isso é feito diuturnamente.

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