"Novo inquérito ou manter preso é mais do mesmo", diz especialista sobre ação da polícia contra facção - Segurança - Jornal de Santa Catarina

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Crime em Florianópolis21/04/2017 | 11h06Atualizada em 21/04/2017 | 11h06

"Novo inquérito ou manter preso é mais do mesmo", diz especialista sobre ação da polícia contra facção

Alceu de Oliveira Pinto Júnior critica eficácia da operação e falta de integração das forças de segurança

"Novo inquérito ou manter preso é mais do mesmo", diz especialista sobre ação da polícia contra facção Marco Favero/Agencia RBS
Alceu de Oliveira Pinto Júnior critica eficácia das ações e falta de integração das forças de segurança Foto: Marco Favero / Agencia RBS

A operação da Polícia Civil contra uma facção criminosa paulista que também atua em Santa Catarina, realizada na última quinta-feira, precisa ser seguida de outras ações, como o controle de pontos sensíveis e a presença constante nos locais onde há maior disputa, em especial pela venda de drogas. A opinião é do professor de criminologia Alceu de Oliveira Pinto Júnior, da Univali. Segundo ele, o trabalho das forças de segurança catarinenses continua sendo reativo: espera-se acontecer um fato — no caso, duas chacinas em um intervalo de 13 dias em Florianópolis — para haver a reação.

— Devemos trabalhar proativamente, de forma integrada. É necessário uma estratégia de combate, que não é só fechar a boca (local de venda de drogas). Lá estão apenas os criminosos mais simples. É necessário matar as rotas do tráfico e impedir a chegada da droga (na boca) — diz Pinto. 

Outro ponto destacado pelo professor é que a maioria (60%) dos criminosos que tiverem mandados de prisão cumpridos ontem já estava dentro das cadeias, e nada impede que eles continuem a comandar ataques ou crimes de lá, como já fazem hoje:

— Criar um novo inquérito ou manter preso é fazer mais do mesmo. 

Unidades pacificadoras

Ainda segundo Oliveira, a escalada da violência já faz com que seja necessária uma presença constante do Estado em áreas conflagradas, tais como o Monte Cristo e a Favela do Siri, ambas em Florianópolis. Perguntado sobre a experiência das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), instaladas no Rio de Janeiro, ele lembra que houve bons resultados no começo, mas que a violência recrudesceu na capital fluminense. 

— Precisa ser uma ação cívico-social, não só de polícia. O Estado tem de estar presente e prestar os serviços básicos, como fazer postos de saúde, assistência social, recadastramento documental. Dessa maneira, a comunidade vai se sentir protegida e vai haver uma dificuldade para sucessão no tráfico. Em um momento futuro, os moradores podem vir a fornecer informações que impeçam a continuidade das bocas — afirma. 

Ações para o futuro

O professor ainda questiona a falta de iniciativas para impedir que os jovens entrem para o tráfico. Em sua opinião, serão os adolescentes de hoje que estarão disputando a posse das bocas daqui a pouco anos. 

— Se tivéssemos feito isso há 5 ou 10 anos, poderíamos ter evitado esses problemas de hoje. É uma reação em cadeia. Hoje dependemos apenas da capacidade de reação da polícia. Não é o caminho. Além disso, a integração das forças de segurança ainda é mínima.

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