Delegado deve ouvir testemunhas em suposto caso de agressão a menino em Araquari - Segurança - Jornal de Santa Catarina

Versão mobile

Investigação09/05/2017 | 10h45Atualizada em 09/05/2017 | 14h57

Delegado deve ouvir testemunhas em suposto caso de agressão a menino em Araquari

Por meio de carta, professor que teria cometido a agressão negou as acusações 

Delegado deve ouvir testemunhas em suposto caso de agressão a menino em Araquari Divulgação/Divulgação
Marca no pescoço e vômito levaram o pai a registrar boletim de ocorrência contra o professor Foto: Divulgação / Divulgação
A Notícia
A Notícia

O inquérito sobre a suposta agressão sofrida por um menino de cinco anos em escola de Araquari ainda deve ser instaurado. De acordo com o delegado da cidade, Fábio Estuqui, responsável pelo caso, o boletim de ocorrência foi elaborado nesta segunda-feira, os depoimentos de testemunhas e partes envolvidas ainda serão ouvidos para dar prosseguimento a investigação. O resultado do corpo delito deve ficar pronto nas próximas semanas.

Leia as últimas notícias sobre Joinville e região no AN.com.br

O fato ocorreu no final da manhã desta segunda-feira. Quando o pai do menino chegou à unidade escolar, por volta das 13 horas, para buscar o filho, o encontrou sentado sozinho, cercado por vômito e com marcas no pescoço. Ao questionar o professor auxiliar – a titular estava de licença – sobre o que poderia ter acontecido, ele teria afirmado ao pai que deixou o menino no local porque ele não ficava quieto e alega não ter visto as marcas de agressão.

O professor negou as acusações. Em carta enviada à reportagem, ele afirma que a criança 'é muito agitada e não para um instante'. O menino foi colocado sentado perto dele enquanto ministrava a aula, mas ele não aceitou e começou a chorar. Ainda segundo o professor, por este motivo teria vomitado. O educador também alega ter sofrido ameaças por parte do pai e registrou o boletim de ocorrência. Confira a carta na íntegra:

Leia mais:
Menino que teria sido agredido por professor em Araquari deixa hospital

'Trata-se inicialmente de uma criança hiperativa, super agitada, que não para um instante, corre na sala, chuta e bate nos coleguinhas - situação que pode ser, inclusive, confirmada pela direção.

Bem: coloquei o garoto sentadinho ao meu lado enquanto ministrava a aula para as demais crianças. Ao que ele contrariado, chorava muito e gritava bastante que não queria ficar sentado. Por isso ao forçar demais o estômago veio a vomitar, ao que os coleguinhas ainda disseram: 'ai professor que nojo ele vomitou!' E eu disse: 'não falem assim, pode ser que o amiguinho não esteja bem.' Em seguida, seria a aula de ciranda (contação de história).

Levei a turma (menos a criança) até a sala de vídeo, onde a professora já os aguardava com outra turma na sala. Até lhe perguntei: 'professora, posso trazer o menino???', 'Se tu puder ficar com ele, eu te agradeço', disse ela, 'porque se não ninguém vai assistir nada com esse menino aqui!' Beleza.

Voltando para a sala passei na secretaria para deixar um documento (atestado médico meu), mal entrei, chegou o pai com o menino, querendo saber por que o filho estava sozinho na sala. Disse-lhe não estava sozinho, que eu apenas havia vindo até a secretaria deixar o documento citado e já estava voltando para ficar com ele. O pai me questionou sobre o vermelho no pescoço, lhe disse que não sabia, talvez tivesse batido no recreio, ou brincando, sei lá, o garoto não para.

Fomos com a direção até a sala. Vi que o menino havia vomitado novamente, (só que desta vez ele estava só na sala) e sugeri ao pai que o levasse ao PA, talvez estivesse com alguma virose, pois que era a segunda vez que havia vomitado.

O pai saiu da escola e três minutos mais ou menos, voltou todo alterado, acusando-me de ter sufocado seu filho, que eu havia agredido a criança, etc, etc. e inclusive me ameaçou de morte... Então, lhe disse que procurasse seus direitos. Ele foi a delegacia registrar o BO, ao passo que eu cheguei em seguida e também registrei um BO por grave ameaça e perjúrio que representei criminalmente.

Quero enfatizar que vivemos numa época onde não há o menor limite para as crianças, além de pais que não desempenham mais o papel de educadores, acham que é obrigação da escola educar seus filhos!¿

*O nome do pai e da criança não foram divulgados em cumprimento ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). 

 
 
Jornal de Santa Catarina
Busca
clicRBS
Nova busca - outros