Dez anos depois, caso Gabrielli continua sem solução em Joinville - Segurança - Jornal de Santa Catarina

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Segurança01/05/2017 | 06h10Atualizada em 01/05/2017 | 10h27

Dez anos depois, caso Gabrielli continua sem solução em Joinville

Morte da menina de um ano e meio em pia batismal ainda tem dúvidas e histórico de reviravoltas durante investigação


A criança estava em uma igreja de Joinville quando ocorreu o crime Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS

As causas da morte da menina Gabrielli Cristina Eichholz, encontrada sem vida dentro de uma igreja em março de 2007, em Joinville, permanecem desconhecidas. A criança, de um ano e meio, foi encontrada morta dentro da pia de batismo da Igreja Adventista do Sétimo Dia e a história ganhou repercussão nacional. Dez anos depois, dúvidas e reviravoltas ainda marcam o caso. O homem que chegou a ser condenado por matar a menina foi solto após o processo ser anulado e, hoje, cobra na Justiça uma indenização de R$ 8 milhões.

Era 3 de março de 2007, quando a menina foi deixada por parentes em uma sala da igreja junto a monitores e outras crianças. Os familiares da menina participavam de um culto no local e quando voltaram para buscá-la, ela havia desaparecido. Minutos depois, a criança foi encontrada morta dentro de um tanque de batismo. Na época, as suspeitas da polícia e um laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontaram que ela teria sido violentada e assassinada.

Dias depois do crime, o pedreiro Oscar Gonçalves do Rosário foi preso e confessou ter assassinado a criança. Ele chegou a participar da reconstituição da morte, mas, duas semanas depois, voltou atrás e afirmou ser inocente.

– Pensei que eles iam só ficar com o meu depoimento, procurar mais provas e ver que não era eu. Não fui eu quem fez isso – disse Oscar em entrevista à RBS TV. 

Caso teve reviravolta em 2010

O homem acabou condenado a 20 anos de prisão por um júri popular realizado em 2008. Ele passou três anos e 14 dias preso, quando ganhou a liberdade em meio a uma reviravolta. O Tribunal de Justiça de Santa Catarina considerou que houve falhas na investigação e anulou todo o processo que apurou, julgou e condenou o pedreiro. A decisão foi tomada em março de 2010, com voto favorável de cinco dos nove desembargadores aptos a decidir.

Devido ao arquivamento, a defesa de Oscar pede a indenização milionária pelo tempo em que ele ficou preso. A ação busca um valor maior do que o já conquistado na Justiça, que condenou o Estado a ressarcir o pedreiro em R$ 40 mil. O recurso chega a R$ 8 milhões e foi recebido há poucos dias por um dos desembargadores de Florianópolis, mas ainda não tem data para ser julgado.

– Primeiro, eu pergunto: quanto vale um dia de liberdade da sua vida? Ainda mais você sabendo que é inocente. Você sabendo que está lá por algo que não cometeu. Por um crime horrendo da forma como ele foi acusado. Todo mundo, num primeiro momento, queria matá-lo – questiona Elizângela Asquel Loch, advogada de Oscar.

Para o promotor de Justiça Giovani Tramontin, que pediu a condenação de Oscar no júri, o fato de o processo ter sido anulado por falhas na investigação não representa a inocência dele.

– Ninguém disse que não foi ele. O que se está dizendo é que não se tem mais prova para sustentar a acusação. Ele não foi absolvido – explica.

Anulação do processo

Já a defesa diz que, na época, ¿de todos que deram depoimento, ninguém cita o Oscar, ninguém viu o Oscar na igreja¿ e que desde o início tentava provar que havia possíveis falhas na investigação do crime. Insatisfeitos com o laudo que apontou violência sexual e assassinato, os advogados pediram uma segunda análise para a causa da morte de Gabrielli.

– Nós fomos buscar uma segunda opinião. E no laudo e nas explicações, de maneira nenhuma aconteceu a esganadura ou o abuso sexual. Tanto que ela tinha água no pulmão. A morte dela foi por afogamento – comenta a advogada.

Além do documento que, segundo a defesa, aponta um acidente, em vez de abuso, os advogados de Oscar apresentaram registros telefônicos de um orelhão que fica a dois quilômetros da igreja. O relatório indicava ligações para o celular da irmã de Oscar no mesmo dia e horário em que teria ocorrido a morte a menina.Eles citam ainda que a anulação do processo pelo Tribunal de Justiça também considerou a falta de um mandado de prisão e uma possível confissão coagida.

– O Oscar novamente pediu por um advogado, o delegado disse que não, que ele não precisa de advogado. Que o advogado vai ser chamado e nomeado por nós, nós `delegado¿ – relata Elizângela.

No entanto, o promotor Giovani Tramontin não acredita em uma possível coação.

– Estava muito claro que ele não foi agredido porque foi filmado o interrogatório dele. A confissão dele foi toda filmada, tem um vídeo de aproximadamente uma hora no qual ele confessava tudo com riqueza de detalhes. De como é que ele pegou, onde é que ele assentou, como é que ele fez tudo, com riqueza de detalhes – recorda.

Oscar foi solto há sete anos e pede indenização pelo período em que ficou preso Foto: Marco Antonio Mendes / RBS TV

Silêncio e recomeço

O delegado Rodrigo Gusso, que esteve à frente das investigações, e Dirceu Silveira, delegado regional de Polícia Civil de Joinville na ocasião, não comentam sobre o caso.Os pais da menina também não quiseram falar sobre o assunto. A família chegou a acionar judicialmente a Igreja Adventista do Sétimo Dia, por negligência, mas entrou em um acordo com a instituição.

Já Oscar Gonçalves do Rosário mantém silêncio sobre o período que mudou sua vida. Solto há sete anos, ele tenta reconstruir a vida em Canoinhas, cidade onde nasceu. Hoje casado e pai de um filho, ele trabalha como operário agroindustrial e busca esquecer o passado.

– Essas coisas, eu nem gosto de ficar falando. Na verdade, a lembrança vira até para a raiva – conta.

Fora da prisão, ele prefere pensar no futuro com a família.

– Um pouco já está sendo realizado, mas tem mais. Meu filho tem cinco anos e quero ver ele formado, ser grande na vida. O que eu quero é dar um futuro diferente para o meu filho – finaliza.

 
 

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