Centrais de emergência de Joinville recebem, em média, 62 trotes por dia - Segurança - Jornal de Santa Catarina

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Comportamento14/06/2017 | 07h01Atualizada em 14/06/2017 | 08h20

Centrais de emergência de Joinville recebem, em média, 62 trotes por dia

Trotes telefônicos colocam em risco atendimentos de emergências

Gabriela Florêncio
Gabriela Florêncio

gabriela.florencio@an.com.br

"Alô, é da polícia? Vocês trabalham com roupa?".

Perguntas desse tipo, infelizmente, ainda são rotina nas centrais de atendimento da Polícia Militar, dos bombeiros e do Samu. O que muitos podem desconhecer é que os minutos perdidos pelos serviços de urgência com este tipo de telefonema impede até o salvamento de uma vida. O trote telefônico ainda é muito ouvido pelas centrais de emergências deJoinville

Ocorrência de trotes dificulta trabalho dos policiais, bombeiros e Samu Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS

De acordo com levantamento feito com dados do ano passado nas três centrais – PM, bombeiros e Samu –, a média diária de trotes ultrapassava os 62 registros. Sem a presença do Samu, que não forneceu os dados deste ano, a média caiu consideravelmente, para 27,8 ligações enganosas por dia. E olha que esse número foi ainda menor em 2016, quando a média de trotes diários apenas da PM e dos bombeiros ficou na faixa de 19 telefonemas.

Na central de emergência de Joinville, que funciona no 8° Batalhão de PM, no bairro Glória, ocorrem os atendimentos feitos pelos bombeiros e pelo Samu. Cada entidade tem uma equipe especializada que faz uma espécie de triagem dos telefones que chegam para apurar eventuais trotes.

No ano passado, somando apenas os registros da PM e dos bombeiros, houve 6.995 ligações enganosas, o que resultou em uma média de 19,16 registros por dia. Com os trotes do Samu (15.723 em 2016), a média passou das 62 ligações por dia.

Para o chefe da Central Regional de Emergência (CRE) da PM, major Adriano Madeira, essas ligações impactam diretamente o atendimento prestado à comunidade. O tempo perdido com o trote pode prejudicar a rapidez na assistência ao cidadão. Os agentes temporários que atendem às ligações do 190 têm treinamento para coibir esses telefonemas.

– Na CRE da polícia, nós temos o procedimento operacional padrão, que são normativas que dizem como os agentes devem atender às ligações. Tem toda uma didática de perguntas para extrair as informações da pessoa e identificar essas situações – explicou.

O que se sabe é que a maioria dos trotes costuma ser feita por crianças e adolescentes em horário escolar, embora existam casos de ligações originadas por adultos. O som ambiente e o tipo da voz são fatores que auxiliam a identificar as ligações mentirosas.

O chefe da CRE ainda esclarece que grande parte dessas brincadeiras é barrada no primeiro atendimento, porém, tem situações em que elas não são identificadas e a viatura é deslocada ao local do suposto ocorrido, gerando prejuízos financeiros e de tempo.

Para os bombeiros voluntários, a situação não é diferente. A chefe de atendimento, Muriel Rosa, explica que o mais impactante nestes casos é quando veículos são disponibilizados em ocorrências fraudulentas e, ao mesmo tempo, ter um caso real para atender.

Além do risco de não salvar a vida, a chance de atrasar o socorro é grande. O órgão deve obedecer ao tempo de resposta para a comunidade, que é de cinco minutos, conforme normatização da Organização das Nações Unidas (ONU). A corporação joinvilense atende, em média, no tempo de oito minutos.

O atendimento do Samu também recebe diariamente as chamadas falsas na Central de Regulação (CR). Para o gerente regional, Carlos Eduardo Pereira Carpes, elas são altamente prejudiciais ao andamento do serviço prestado pelo órgão, já que pelo menos um profissional é disponibilizado para o atendimento, deixando de prestar auxílio a quem realmente precisa.

– Quando uma ligação de trote é atendida nas centrais, outra pessoa deixa de conseguir esse contato. Assim acontece também com o envio das ambulâncias, além de pôr em risco a vida da própria equipe – afirmou.


Volume ainda é considerado alto pela PM
Apesar de o número de trotes à PM ter diminuído nos últimos anos, o comandante do 8º BPM, Jofrey Santos da Silva, considera que o montante ainda é muito alto. Entre 2015 e 2016, os registros caíram de 12.138 para 4.143 ligações enganosas ao ano.

O comandante explica que essa diminuição pode estar ligada à menor utilização dos telefones públicos – principal meio utilizado para fazer ligações anônimas. Em 2016, devem ser levadas em consideração as situações nas quais não são constatadas ocorrências após a averiguação. Isto é, uma equipe é enviada ao local informado pelo denunciante, mas o fato não é encontrado pela PM.

Estas situações devem entrar na estatística dos trotes, conforme Jofrey, porque o tempo gasto pelos profissionais poderia ser utilizado em outras atividades, como a prevenção de atividades criminosas. No ano passado, essas ocorrências somaram 6.985 casos.

 Tanto os trotes quanto os falsos chamados também reduzem a quantidade de patrulhamento nas ruas de Joinville.

– Nós estamos reduzindo a nossa força quando há este tipo de ocorrência. Então, se a comunidade que a PM seja mais presente, é imprescindível que sejamos acionados apenas quando é preciso. Na medida em que é tirado o foco das guarnições de patrulhamento, é menos serviço preventivo, é menos presença efetiva na comunidade – afirma o comandante Jofrey.

Foto: Arte/ Juliano de Souza

Conscientização pode ser a solução

Para reverter o quadro, Muriel Rosa, dos bombeiros voluntários, defende campanhas de conscientização focadas no público adolescente, mostrando o risco que esse tipo de telefonema pode causar à vida de uma pessoa que precisa de atendimento. 

Ela ressalta que também pode existir envolvimento das escolas, ajudando na formação de jovens mais conscientes sobre os serviços de emergência. O gerente do Samu, Carlos Carpes, confirma com a opinião de Muriel.

 – A principal prevenção aos trotes é a conscientização da população sobre os problemas que ele pode causar na vida das pessoas que realmente necessitam de ajuda – defende.

Além disso, desde 2012, o Samu conta com o Projeto EducaSamu, desenvolvido pela Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina (SES), com o objetivo de orientar e esclarecer para a comunidade as funções exercidas pelo órgão e, consequentemente, reduzir o número de trotes e ligações indevidas para o 192.

 O projeto está ativo na região de Joinville com uma profissional educadora que realiza atividades de orientação a toda a população, com foco principal nas escolas.O comandante do 8º BPM, Jofrey da Silva, ressalta que, no caso da PM, os conselhos de segurança pública (Consegs) e o Programa Rede de Vizinhos espalhados pelos bairros ajudam no entendimento do trabalho da PM e, consequentemente, na conscientização contra os trotes telefônicos.

Já o chefe da CRE da PM, major Adriano Madeira, defende que as campanhas ajudariam, mas os pais têm fundamental papel de orientação.

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