Diogo Vargas: a instituição da pena de morte no norte da Ilha - Segurança - Jornal de Santa Catarina

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Opinião07/07/2017 | 15h10Atualizada em 07/07/2017 | 17h28

Diogo Vargas: a instituição da pena de morte no norte da Ilha

Vidas perdidas em guerra entre bandos criminosos muda a rotina de uma das regiões mais turísticas da Capital, trazendo medo e insegurança

Houve um tempo em que som alto, arruaceiros nas ruas de madrugada após baladas, consumo de drogas na praia e furtos em residências de veraneio eram o grande problema da segurança pública no norte da Ilha, em Florianópolis. Não que estes tenham acabado, mas hoje o grande inferno à população é a pena de morte instituída no narcotráfico na região, conforme admitem fontes ligadas de perto ao assunto.

Vidas perdidas por uma banalização de tiroteios, vinganças e um poderio por territórios disputado a bala entre grupos rivais. Adolescentes que deveriam estar na escola ou rumo a uma profissionalização são cooptados e vivem à margem de mandos e desmandos de chefes do tráfico armados e sem piedade.

Antiga área de invasão ocupada por recicladores, nos fundos do Terminal de Canasvieiras, a Papaquara virou sinônimo de barbárie. Dois jovens foram brutalmente torturados e queimados ao estilo crime do microondas, em que bandidos ateiam fogo em meio a pneus ou restos de madeira e colchões, crime comum no terror do tráfico do Rio de Janeiro.

Chacinas, execuções de dia, sem falar dos assaltos a residências. Pois esta é a nova realidade de uma das regiões mais turísticas da Capital, com praias exuberantes reconhecidas internacionalmente e um povo ilhéu nativo e humilde por si só. A violência imposta desde o começo do ano, quando 50 mortes violentas tiveram como palco o norte da Ilha, gera medo e transforma a vida dos seus habitantes. 

Na Cachoeira do Bom Jesus, por exemplo, bairro notadamente de comércio e vai-e-vem de moradores, o corre-corre aumentou trazendo junto o medo e a insegurança. As polícias estão no limite, apreensões de drogas e armas e prisões são constantes. Mas a matança continua sem que o governo do Estado tome medidas de mobilização à altura, com integrações e reforços permanentes, além de diferentes áreas sociais envolvidas que levem novas políticas públicas.

As invasões de terrenos, cuja fiscalização do poder público municipal deveria ser constante, acabam tendo pano de fundo à criminalidade. Habitantes de outros Estados buscam moradias e emprego e acabam se tornando alvo da crise. Há notícias de que uma parcela também termina se envolvendo na marginalidade. Esse é o diagnóstico básico da região conhecido por todos. Basta vontade e comprometimento com a sociedade para reviver anos que já se foram.

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