Diogo Vargas: mais um fracasso na tentativa de construir penitenciária - Segurança - Jornal de Santa Catarina

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Opinião05/07/2017 | 09h27Atualizada em 05/07/2017 | 09h27

Diogo Vargas: mais um fracasso na tentativa de construir penitenciária

Estado não consegue licença da prefeitura de Tijucas para construir unidade prisional, o que revela a falta de entendimento político.

Diogo Vargas: mais um fracasso na tentativa de construir penitenciária Salmo Duarte/Agencia RBS
Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS


Mais uma vez a população catarinense é surpreendida com a notícia de um município que rejeita a construção de uma unidade prisional. Desta vez, Tijucas é quem veta a obra primordial para amenizar os problemas de superlotação da Grande Florianópolis, o déficit de vagas no Estado, as interdições, fugas e uma real ameaça à segurança pública.

Não concretizaram um acordo político antes de projetar a cadeia? Não foram oferecidas compensações em áreas como habitação, saúde e infraestrutura a fim de viabilizar a iniciativa e liberar as licenças municipais?

As respostas cabem ao Estado e não eximem a falta de bom senso da administração municipal. Esse episódio de agora só revela o quanto municípios e o governo do Estado não se entendem politicamente. Ironicamente, o prefeito de Tijucas, Elói Mariano da Rocha, é do mesmo partido que o governador Raimundo Colombo, o PSD.

E aí fica a pergunta: será que Colombo e o próprio partido não conseguiram convencê-lo da importância da unidade prisional de 628 vagas de R$ 48 milhões? Vale lembrar que São José, outra cidade que rejeita a construção de uma cadeia, também é administrada por uma prefeita do mesmo partido que o governador, Adeliana Dal Pont, do PSD.

A judicialização não pode ser o cômodo caminho. O exemplo de Imaruí, no Sul, a primeira cidade que encabeçou iniciativa popular de ser contrária a um presídio, mostra que esse tipo de ação se arrasta por anos e só traz mais gastos aos cofres públicos e desgastes.

Diálogos, propostas políticas, termos de compensações devidamente amparadas previamente com a sociedade e o Ministério Público deveriam estar em primeiro plano. As recusas do poder público municipal também indicam uma outra triste realidade, a de quanto a população está assustada e temerosa com o avanço da criminalidade.

Em Tijucas, não é diferente. Com 36,1 mil habitantes, a proximidade com a BR-101 e o litoral, ela fatalmente registrou temores com a presença de bandidos nos últimos anos. Houve investigações sobre a presença de crime organizado na região, depósitos de traficantes de drogas e lugares que serviam de esconderijos para foragidos da Justiça armados, entre outros pesadelos motivos de intensa preocupação a policiais, promotores e juízes.

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