Bike Patrulha em Blumenau prendeu 13 pessoas no primeiro mês - Segurança - Jornal de Santa Catarina

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Segurança11/08/2017 | 07h01Atualizada em 11/08/2017 | 07h01

Bike Patrulha em Blumenau prendeu 13 pessoas no primeiro mês

Lojistas do Centro de Blumenau veem projeto como alavanca para o comércio de rua

Bike Patrulha em Blumenau prendeu 13 pessoas no primeiro mês Lucas Correia/Agência RBS
Foto: Lucas Correia / Agência RBS

Sobre as lajotas da calçada da Avenida Beira-Rio os pneus da mountain bike 18 marchas giram em velocidade. Param perto de um dos bancos de madeira, que outrora já renderam polêmica por projetarem o peitoral ou as costas para o rio Itajaí-Açu. Ali um policial interpela dois jovens e, após eles prestarem algumas informações, dispensa-os minutos depois. Abordagens como essa são parte da rotina do grupo de policiais militares que atua na Bike Patrulha. O serviço percorre ruas do Centro e completou um mês de atividade ontem.

Nesse período, a equipe que faz o trabalho ostensivo pedalando prendeu 12 pessoas que estavam com mandados de prisão ativos e conduziu 24 pessoas à delegacia por posse de drogas. Esses dois tipos de ocorrências foram os que mais tiveram registros. Mas também houve espaço para a prisão de um suspeito de roubo. Foi logo no segundo dia do serviço, em 11 de julho, quando os PMs prenderam um homem suspeito de roubar um celular de uma pedestre. Ele tentou fugir e se escondeu embaixo da Ponte Adolfo Konder, mas acabou detido antes da chegada de viaturas motorizadas. Em outras duas ocorrências em andamento atendidas, os suspeitos conseguiram fugir com veículos – nesses casos, entram em cena a rádio-patrulha e outras frentes da PM.

Os policiais da Bike Patrulha mostram-se satisfeitos com o primeiro mês do serviço e com o contato mais próximo da população. Alertam que o principal ganho é a prevenção de crimes.

– A principal vantagem é a proximidade, tanto de situações e pessoas desconhecidas ou em atitudes suspeitas, que conseguimos perceber e abordar com mais facilidade, o que inclusive resultou nesse número alto de mandados de prisão cumpridos, quanto com a população, que se sente mais à vontade para nos parar na rua, pedir informações ou denunciar alguma situação suspeita – conta um policial do serviço, que prefere não divulgar o nome por segurança.

Estar livre das amarras do trânsito ajuda os PMs a checarem mais imóveis abandonados usados para consumo ou tráfico de drogas. Foi assim que, na terça-feira, após uma denúncia anônima, a equipe encontrou em uma casa na Rua São Paulo um rapaz suspeito de furtar bicicletas em condomínios da região central da cidade.

Preocupação noturna e possível ampliação de ruas 

Márcia Day Jagielske trabalha há dois anos em uma lanchonete da Avenida Beira-Rio e acha que o serviço da Bike Patrulha ajudou no último mês. No entanto, gostaria de vê-los mais vezes por dia na rua para identificar possíveis suspeitos que circulariam despreocupados por ali. O cabeleireiro Júnior de Mello, 32 anos, acredita que iniciativas como essa sempre auxiliam a inibir a criminalidade, mas mostra uma preocupação maior com o período depois das 18h, quando as ruas ficam mais vazias.

O comandante da PM de Blumenau, tenente-coronel Jefferson Schmidt, conta que a aceitação da população à proposta ficou acima do esperado e cogita ampliar a patrulha às ruas como 2 de Setembro, 7 de Setembro, Amazonas e Engenheiro Paul Werner.

– Eles entram em lugares que a Rocam e outras viaturas não entram, como praças e parques, ajudaram a melhorar os índices do Centro. Estamos satisfeitíssimos – pontua o comandante.

Entidades veem projeto como alavanca para o comércio de rua

A sensação de segurança que os policiais da Bike Patrulha trazem ao Centro é o principal empurrão que as entidades de classe acreditam que será dado ao comércio de rua. Com reclamações principalmente referentes ao uso de drogas e à insegurança após o fim do expediente, Câmara de Dirigentes Lojistas de Blumenau (CDL) e Sindilojas veem o projeto como o pontapé para a retomada do crescimento dos comércios que ficam além de shoppings centers. São fatores que somados, fazem com que gradativamente o público retorne a frequentar lugares nas ruas XV de Novembro e transversais, por exemplo, como ocorria no passado.

O importante é que quem trabalha no Centro possa sentir essa segurança e passe isso adiante para o consumidor. Aí vai virar uma onda. Quanto mais pessoas perceberem isso, mais haverá reflexos na economia também, obviamente – avalia Emílio Schramm, presidente do Sindilojas.

Na opinião de Hélio Roncaglio, presidente da CDL, o projeto é importante, mas pode ser aperfeiçoado se quiser ser um fator a mais para a valorização do comércio de rua. A sugestão é de que mais um posto seja instalado em outro ponto do Centro – como o início da Rua XV –, o que, na opinião de Roncaglio, traria mais facilidades de logística à Polícia Militar em caso de atendimento a ocorrências ou até mesmo rondas.

– Com a polícia aumentando a patrulha no Centro, o consumidor vai ficar mais protegido e as lojas poderão manter as portas abertas por mais tempo. Acho que está ótimo, é uma excelente iniciativa, mas sempre pode melhorar – sugere o presidente da CDL.

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