Policiais vivem clima de insegurança em postos e delegacias após ataques no Estado - Segurança - Jornal de Santa Catarina

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Violência01/09/2017 | 15h09Atualizada em 01/09/2017 | 15h09

Policiais vivem clima de insegurança em postos e delegacias após ataques no Estado

Associações atribuem sensação a problemas com equipamentos que deveriam proteger servidores

Policiais vivem clima de insegurança em postos e delegacias após ataques no Estado Schirlei Alves / Agencia RBS/Agencia RBS
Foto: Schirlei Alves / Agencia RBS / Agencia RBS

Após a morte de quatro agentes de segurança pública (três policiais militares e um agente penitenciário) em um mês e uma noite com 14 ataques contra servidores e bases do Estado, o clima é de insegurança e vulnerabilidade entre os profissionais que atuam na ponta. 

A reportagem do DC visitou duas delegacias e uma base da Polícia Militar na Capital, conversou com servidores que trabalham na Secretaria de Segurança Pública e ouviu o Sindicato da Polícia Civil (Sinpol) e a Associação Nacional dos Praças da Polícia Militar (Anaspra). Os relatos foram de precariedade nos equipamentos para manter a própria segurança. As câmeras de monitoramento na base da PM não estavam funcionando. Um policial, que preferiu não se identificar, disse que sente falta de ter mais colegas na corporação para reforçar a segurança e que sente-se tão desprotegido como os cidadãos comuns. 

— Esse é o nosso trabalho, já estamos acostumados a correr riscos. Mas quando eu entrei na polícia (na década de 80), havia muito mais gente trabalhando. Hoje, com a falta (de efetivo), é complicado. 

Na delegacia, que já foi alvo de ataques e ainda mantém as marcas das balas nas paredes, um agente revela que há tensão entre os colegas. 

— O equipamento está sucateado, olha os buracos na janela (das balas), não tem blindagem. Se nós corremos risco, imagina quem está na rua?

Tanto a associação que representa a Polícia Militar quanto o sindicato da Polícia Civil dizem que as corporações estão com falta de equipamentos adequados para combater a criminalidade. Segundo o presidente da Anaspra, Elisandro Lotin, a PM tem se posicionado enquanto instituição, mas sofre com a falta de investimento do Estado. O representante da classe afirma que faltam coletes balísticos e combustível para abastecer aeronaves.

— Há união entre os policiais, mas o Estado abandou (a instituição) há muitos anos. Já fizemos vários pedidos (de verba) à Secretaria da Fazenda, que não libera alegando crise financeira — disse Lotin. 

O presidente do Sinpol, Adriano Amorim, faz uma ressalva quando diz que a polícia sempre foi alvo das organizações criminosas. No entanto, a tecnologia tem proporcionado que as facções se organizem com mais facilidade. Mesmo que a ação criminosa seja previsível, Amorim ressalta os mesmos problemas da PM: faltam coletes balísticos e armamento. 

— Quando um policial morre, a família dele é destruída, mas o primeiro a ser atingido é o governo, que está tratando com desrespeito a classe. Não há previsão de mudança, os agentes sentem-se tão inseguros como a sociedade. O que falta é política de ação em vez de reagir apenas quando ocorrem atentados — avaliou Amorim.  

Na manhã desta sexta-feira, o Instituto Geral de Perícias anunciou que vai restringir atendimento noturno com a finalidade de garantir a segurança pessoal dos agentes. Repartições no Litoral Norte também estão reduzindo horários de atendimento para evitar exposição à noite, quando os criminosos normalmente atacam. 

A única instituição que se posicionou sobre os ataques no início da tarde desta sexta-feira foi a Polícia Militar. Em nota, a corporação afirmou que está intensificando as operações em todas as regiões atingidas. 

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