"É a guerra pela venda de droga e arma", diz secretário de Segurança sobre homicídios - Segurança - Jornal de Santa Catarina

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Mortes violentas22/11/2017 | 22h06Atualizada em 22/11/2017 | 22h06

"É a guerra pela venda de droga e arma", diz secretário de Segurança sobre homicídios

Titular da SSP deu entrevista após a Grande Florianópolis registrar nove homicídios em 30 horas

"É a guerra pela venda de droga e arma", diz secretário de Segurança sobre homicídios Betina Humeres/Diário Catarinense
Foto: Betina Humeres / Diário Catarinense

Em menos de 30 horas, entre 1h de terça e 4h30min de quarta-feira, pelo menos nove pessoas morreram na Grande Florianópolis. Entre as vítimas, um homem que foi carbonizado vivo em Palhoça. O vídeo mostrando o assassinato circulou pelas redes sociais. Nas imagens, os criminosos também agridem uma mulher que também teria sido morta, mas o corpo dela não foi encontrado.

Com exceção de uma das mortes da Capital, cuja vítima foi um assaltante, e de um homicídio em São José decorrente de uma briga, os assassinatos estão relacionados ao tráfico de drogas.

— Vivemos um fenômeno nacional de facções criminosas. A facção tenta entrar em SC e já existem pontos que está tentando dominar. Há uma resistência do grupo local em ceder pontos de tráfico. É a guerra pela venda de droga e arma — disse o secretário de Estado de Segurança Pública, César Antônio Grubba.

Com os últimos crimes, Florianópolis já contabiliza 154 mortes violentas em 2017, incluindo homicídios, latrocínios, mortos por policiais e lesões corporais seguidas de morte. Os dados são da Secretaria de Segurança Pública de SC.

Em comparação, em todo o ano de 2016, foram registrados 92 assassinatos na Capital. Antes mesmo de acabar o ano, as mortes violentas já tiveram um salto de 94,9%, se comparado com o mesmo período do ano passado (79 até 22 de novembro de 2016 e 154 até novembro de 2017).

Em Joinville, no Norte do Estado, onde também há disputa por território entre as mesmas facções, a variação é de 6,9%, se comparados os mesmos períodos (116 mortes até novembro de 2016 e 124 até novembro de 2017).

Os dados da SSP revelam ainda que, até setembro deste ano, as mortes violentas em todo o Estado já haviam crescido 10%, comparando com o mesmo período do ano passado (873 em 2016 e 965 em 2017). 

Em entrevista ao DC, o secretário de Segurança Pública admite que, se o Estado não ocupar as zonas de conflito, terá ainda mais dificuldade em frear a guerra entre as facções, fenômeno nacional e que vêm alavancando a violência em SC. Grubba também afirmou que  as forças de segurança trabalham com inteligência e que irá reforçar o efetivo no começo do ano. Leia a entrevista completa:

Como a SSP pretende conter o aumento da violência no Estado?

Estamos trabalhando na área da inteligência com sufocamento da criminalidade nos pontos críticos, isso tem evitado muitas mortes, mas, infelizmente, não se consegue evitar todas. Em SC, já foram quase 30 mil prisões este ano.

A SSP está monitorando a inserção da facção paulista no território catarinense?

Realmente vivemos um fenômeno nacional de facções criminosas. A facção tenta entrar em SC e já existem pontos que está tentando dominar. Há uma resistência do grupo local em ceder pontos de tráfico. É a guerra pela venda de droga e arma.

O efetivo das polícias é suficiente para combater o crime organizado?

Estamos reforçando os efetivos da Polícia Civil e da Polícia Militar. Infelizmente, não temos policiais para estarem 24 horas em todos os lugares do Estado. Nós temos que fazer planejamento operacional nas áreas críticas e em determinados horários .

Na Vila União, uma creche funciona ao lado de uma barricada com pessoas armadas, como o senhor percebe essa situação?

O que eu vou dizer? A comunidade tem que ajudar e ligar para o disque denuncia e para a PM. Recebendo a denuncia, uma unidade se desloca imediatamente para o local.

A guerra entre as facções tem elevado a violência a outro patamar, com casos de decapitações. Não é um indício de que Florianópolis pode vir a se tornar uma capital tão violenta quanto Porto Alegre ou Rio de Janeiro, por exemplo?

No Rio de Janeiro, usaram a Força Nacional e o Exercito, mas foi um paliativo que não deu tão certo. Trabalhamos a questão policial, temos conversado com as secretarias de Assistência Social e Educação, são vários braços. Só que o Estado policial sozinho não vai adiantar. Se houver a ausência do Estado como um todo na comunidade, a criminalidade vai agasalhar aqueles cidadãos.

Qual é o planejamento para evitar que o crime chegue a esse patamar?

Torço para que isso não aconteça aqui em Florianópolis e no Estado. Estamos reforçando o efetivo, a inteligência, as especializadas, fazendo planejamento de ocupação territorial e deslocamento de áreas.

A SSP já chegou a cogitar apoio do governo federal?

Temos feito reuniões constantes, pedindo mudança na legislação e que o governo federal e o Exército contenham entrada de armas e drogas nas fronteiras. O Estado tem que trabalhar em conjunto.

Moradores estão relatando que há violência policial nas abordagens. Os policiais estão preparados para diferenciar a atuação dentro de uma comunidade?

Existe um protocolo de procedimento. Se o policial não obedece e a atuação é violenta, tem que ser denunciado na corregedoria. Criminoso não tem estereótipo, então, a policia às vezes tem que se resguardar de uma forma que não é compreendida pela comunidade. Mas não justifica violência policial contra cidadãos.

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