Índios pedem para PF investigar assassinato de professor em Penha - Segurança - Jornal de Santa Catarina

Versão mobile

Assassinato09/01/2018 | 15h45Atualizada em 09/01/2018 | 15h45

 Índios pedem para PF investigar assassinato de professor em Penha

Pedido foi levado ao Ministério Público Federal e ato nesta terça, na UFSC, reverenciou o Xokleng Marcondes Namblá

 Índios pedem para PF investigar assassinato de professor em Penha Diorgenes Pandini/Diario Catarinense
Foto: Diorgenes Pandini / Diario Catarinense
Ângela Bastos

Um ato ecumênico na manhã desta terça-feira na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) homenageou o ex-aluno e professor Marcondes Namblá, 36 anos. Familiares, amigos, colegas e professores exigem justiça pelo assassinato do índio Xokleng.  Marcondes se formou  na UFSC em abril de 2015 e desenvolvia atividades de ensino na escola Laklãnõ. Ele foi morto a pauladas na praia de Penha, Norte do Estado. 

O crime ocorreu na madrugada do dia 1º, e a morte dia 2, no hospital. Identificado por imagens de câmeras e tendo assumido a autoria para testemunhas, Gilmar César de Lima, o Gil, 23 anos, teve a prisão preventiva decretada. Mas 10 dias depois do crime ainda não foi localizado pela polícia catarinense.

Na segunda-feira, lideranças indígenas estiveram na sede do Ministério Público Federal de Santa Catarina, em Florianópolis. O grupo pede que a Polícia Federal também investigue o caso. Os Xokleng não aceitam a versão de que o crime ocorreu por motivo fútil (desentendimento por causa do cachorro do homicida) e sugerem que a morte do professor, reconhecido como uma das principais lideranças, tenha outra motivação. A expectativa é de que na sexta-feira o procurador-chefe do Ministério Público em Santa Catarina, Darlan Dias, esteja na área de José Boiteux para ouvir indígenas. 

— A gente não entende que tenha sido um crime à toa, que o matador estivesse ali por acaso com seu cachorro e decidido dar pauladas em Marcondes. Se foi assim mesmo, que a polícia prove e se faça justiça— disse o cacique presidente Tucun Grakan.

 FLORIANOPOLIS, SC, BRASIL, 09.01.2018: Comunidade academica e indios de diferentes nomeacoes, assim como os xoklengs, fizeram uma homenagem hoje na capela da UFSC ao indio assassinado no inicio desse ano, o Marcondes. (Foto: Diorgenes Pandini/Diario Catarinense)Indexador: Diorgenes Pandini
Foto: Diorgenes Pandini / Diario Catarinense

Crime interrompe projeto de mestrado

Orientadora de Marcondes na Licenciatura, Antonella Tessinari lembrou que, pouco antes do Natal, ele entrou em contato para buscar referências bibliográficas para fazer seu projeto de mestrado. "A gente sempre quer que os alunos nos superem, e era isto que vinha fazendo. Ele usou teorias e correntes teóricas para mostrar a importância do banho de rio para as crianças. Isto não estava na agenda científica, mas com sua criatividade, ele mostrou algo de novo." 

Durante o ato, o reitor em exercício da UFSC, Alexandre Marino, entregou um documento à família, um louvor a Marcondes, recebido por Nanblá Gakran, professor da Licenciatura Intercultural e primo do falecido. 

— O trabalho dele, de preservação da cultura e história, vai permanecer — disse Gakran.

Ao final do evento, a orientadora fez uma homenagem em que lembrou dos tempos de sala de aula com os alunos: por três vezes chamou o nome Marcondes Namblá. A cada chamada, os cerca de 120 presentes respondiam:

— Presente.

Ato cerimonial previsto para quarta-feira no local do crime

Novo ato está previsto para esta quarta-feira. Alunos do curso de Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica, da UFSC, estão mobilizados na organização de um ato cerimonial e um protesto ao assassinato de Marcondes. A manifestação serrá às 14h, no local onde o indígena foi morto (Avenida Eugênio Krause). O evento tem apoio de outras etnias além do povo Laklãnõ-Xokleng, como Guarani e Kaingang.

Leia também:

Ângela Bastos: Obituário para um índio assassinado

Suspeito de matar indígena no Litoral Norte está foragido

Suspeito de matar indígena em Penha já respondia por tentativa de homicídio 

Professor indígena é encontrado ferido e morre em hospital do Litoral Norte de SC

Justiça decreta prisão preventiva de suspeito da morte de professor

Polícia descarta latrocínio em morte de índio e diz já ter suspeitos


Siga Santa no Twitter

  • santacombr

    santacombr

    SantaDefesa Civil de SC mantém o alerta após quarta-feira de chuvas e transtornos https://t.co/w3W23FL2Bt #LeiaNoSantahá 7 horas Retweet
  • santacombr

    santacombr

    SantaVigilância Epidemiológica de SC reforça em quais casos vacinação é necessária https://t.co/Zz1ZiFpCGu #LeiaNoSantahá 8 horas Retweet

Veja também

Jornal de Santa Catarina
Busca