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Crime12/01/2018 | 15h46Atualizada em 12/01/2018 | 16h58

Suspeito de matar índio em Penha era foragido da polícia

Polícia disse que o jovem teria confessado o crime e que o ato não teve relação com a etnia da vítima

Suspeito de matar índio em Penha era foragido da polícia Luís Carlos Kriewall Filho/Especial
Polícia Civil convocou coletiva em Blumenau nesta sexta para esclarecer o caso Foto: Luís Carlos Kriewall Filho / Especial

Uma discussão fútil iniciada por conta de uma brincadeira com um cachorro foi a causa de um crime que chocou Santa Catarina nas primeiras horas de 2018. O professor indígena Marcondes Nambla, de 36 anos, foi espancado até a morte no dia 1º de janeiro. Nesta sexta-feira, o suspeito pelo crime foi preso e, segundo a polícia, teria confessado o ato brutal.

Gilmar César de Lima foi detido às 6h30min em Gaspar, na casa da irmã, e por volta do meio-dia encaminhado ao Presídio Regional de Blumenau. Às 14h, a Polícia Civil se reuniu na Delegacia Regional de Blumenau para uma coletiva de imprensa em que os detalhes do caso foram esclarecidos.

Segundo o delegado responsável pelo início da investigação em Piçarras e que interrogou Lima nesta sexta, Douglas Teixeira Barroco, o jovem de 23 anos confessou o crime e contou a razão de ter assassinado o índio. Conforme o depoimento ao delegado, o autor do crime estaria voltando para a casa em que estava morando em Penha após a virada do ano e encontrou Marcondes brincando com o seu cachorro na frente do portão. O cão estaria dentro da casa e o índio na calçada, passando um pedaço de madeira na grade.

Gilmar teria dito ao delegado que estava bêbado e havia usado drogas, por isso começou uma discussão com Marcondes na calçada, motivada pela brincadeira com o cachorro. A briga logo teria terminado e a vítima saído caminhando.

— Ele (Gilmar) contou que depois da discussão resolveu "dar uma lição" na vítima e foi atrás dele com a intenção de agredi-lo. O crime acabou acontecendo a uma quadra da casa onde eles discutiram. O simples fato de uma brincadeira com o cachorro motivou esse crime tão bárbaro. O autor diz que nem lembra direito da situação — contou o delegado Barroco.

Ainda segundo a Polícia Civil, Gilmar afirmou no interrogatório que não sabia que a vítima era indígena e que o fato não teve nenhuma relação com a etnia de Marcondes. Segundo o delegado, ele teria dito que "não sabia pois ele não estava usando roupas de índio". Há uma suspeita de que a vítima também estava alcoolizada, mas o exame toxicológico ainda não ficou pronto.

gilmar cesar de lima, preso suspeito de ter matado o índio Marcondes Nambla em Penha
Gilmar César de Lima foi detido em Gaspar nesta sexta-feira de manhãFoto: Polícia Civil / Divulgação

Preso era foragido da polícia por outros crimes

Os delegados Marcos Vinicius Krause Bierhalz e Jeronimo Marçal Ferreira, de Gaspar, participaram da coletiva e falaram sobre o histórico de Gilmar César de Lima. Conhecido da polícia de Gaspar, ele tem passagens desde a adolescência e tem no registro crimes de tráfico de drogas, receptação, violência doméstica e duas tentativas de homicídio. 

O caso mais recente envolveu um homem de 56 anos esfaqueado, em outubro, e motivou um pedido de prisão contra Gilmar expedido pela Comarca de Gaspar. Desde então, o jovem era foragido e estava morando em Penha, escondido da polícia. Considerado violento e perigoso pela Polícia Militar de Gaspar, ele teria também envolvimento com o tráfico de drogas na cidade.

Os delegados do litoral destacaram que no dia 4 de janeiro foi feita a primeira operação para tentar capturá-lo, mas ele já havia fugido para Gaspar. A busca ocorreu na casa onde a discussão da noite do crime começou e, inclusive, o cachorro envolvido no caso estava lá. Após denúncias anônimas, a polícia chegou até o paradeiro do homem no bairro Gaspar Mirim, onde ele foi encontrado nesta sexta.

Gilmar está preso preventivamente e deve responder pelo crime de homicídio qualificado por motivo fútil, que pode levar a uma pena de 12 a 30 anos em regime fechado. A polícia crê, no entanto, em uma punição ainda maior por conta dos crimes anteriores. Até a publicação deste texto, Gilmar ainda não havia designado um advogado de defesa.

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