Morte violenta de médico interrompe rotina de tranquilidade em Timbó  - Segurança - Jornal de Santa Catarina

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Segurança26/06/2018 | 07h30Atualizada em 26/06/2018 | 07h30

Morte violenta de médico interrompe rotina de tranquilidade em Timbó 

O último homicídio registrado na cidade foi em 2014

Morte violenta de médico interrompe rotina de tranquilidade em Timbó  Jean Laurindo/Jornal de Santa Catarina
Pessoas que trabalham no Hospital Oase ou em locais próximos, frequentados pelo médico, lamentaram o caso Foto: Jean Laurindo / Jornal de Santa Catarina

No Parque Central de Timbó, o silêncio ainda prevalece durante o meio-dia. Alguns moradores aproveitam a tranquilidade do lugar para descansar nos bancos ou dar uma espiada no celular antes de voltar ao trabalho, enquanto estudantes jogam conversa fora antes de seguir da escola para casa. Em uma das principais ruas do Centro, pedestres caminham sem muita preocupação e as portas das lojas seguem abertas, algumas com câmeras de monitoramento ou sistemas mais rígidos de segurança.

O clima de tranquilidade de Timbó sofreu um baque na semana passada. Depois de ficar uma semana desaparecido, o médico anestesista Cleonildo de Oliveira, 64 anos, foi encontrado morto na madrugada de sábado, na região do Morro Azul, em Timbó. No mesmo dia, a Polícia Civil apontou que ele teria sido vítima de um latrocínio – roubo seguido de morte – e prendeu quatro dos cinco suspeitos de participarem do assassinato do médico.

Segundo a investigação, o médico teria sido atraído por uma mulher, que supostamente seria garota de programa, até a casa dela. Ela conheceria a vítima e teria pesquisado informações sobre a condição financeira dele. No local, os outros quatro suspeitos teriam entrado em ação para roubar dinheiro e pertences do médico. No entanto, nesse momento eles teriam assassinado o profissional da saúde por asfixia e tentaram esconder o corpo na localidade do Morro Azul. Foram os próprios suspeitos que apontaram o local em que esconderam o corpo.

– Eles também planejavam ir até a casa da vítima com a caminhonete dele para roubar a residência, mas o veículo foi encontrado por policiais antes que eles pudessem fazer isso – explicou o delegado responsável pelo caso, Raphael Souza Werling de Oliveira.

Nesta segunda-feira, a Polícia Civil prendeu o quinto homem que teria participado do crime, dando o caso como solucionado. Um rapaz de 20 anos se apresentou na delegacia. Conforme a polícia, ele, a mulher que atraiu a vítima e outro suspeito teriam asfixiado Cleonildo com um fio de energia e levado o corpo para um matagal, onde ainda atearam fogo na vítima já sem vida. Os rapazes detidos estão no Presídio Regional de Blumenau, e a mulher está no presídio feminino de Itajaí.

Repercussão do latrocínio do médico anestesista de Timbó, Cleonildo de Oliveira, 64 anos. Delegado Raphael Souza Werling de Oliveira
Delegado informou sobre prisõesFoto: Jean Laurindo / Jornal de Santa Catarina

O anestesista trabalhava no Hospital Oase, de Timbó, e também prestava serviço a outros hospitais de cidades vizinhas, como Pomerode. O diretor técnico do Hospital Oase, Paolo Piermarini, conta que conhecia Cleonildo desde que ele se mudou de Alagoas para Timbó, há mais de 30 anos. Ele era divorciado e tinha filhos na região. Conforme o diretor, o médico estava sempre de bom humor e nos últimos anos trabalhava no hospital apenas uma vez por semana.

– Para todos do corpo técnico, clínico, funcionários, foi uma perda dolorosa, porque ele era uma pessoa de boa índole, se dava bem com todo mundo. Foi uma perda de maneira estúpida, que causou choque em todos. Uma perda lastimável, que vai fazer muita falta – lamentou Piermarini.

O episódio é ímpar. Basta perguntar sobre o número de mortes violentas nos últimos anos a alguém da Delegacia de Timbó que os profissionais se lembram de muitos casos. É assim também com moradores. Segundo dados do Sistema Integrado de Segurança Pública (Sisp) repassados pela Delegacia de Polícia Civil de Timbó, o último homicídio na cidade havia sido registrado em 2014, quando um homem foi morto a facadas em um bar. Antes disso, somente a cidade vizinha de Benedito Novo havia registrado assassinatos – três, nos anos de 2011, 2012 e 2013. Já dados da Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina (SSP-SC) apontam que houve 10 casos, entre homicídio doloso e latrocínio, desde 2010 na cidade – o último exatamente em 2014, como os dados informados pela delegacia.

O fato de crimes com essa violência serem incomuns faz muita gente responsabilizar moradores de outras regiões que se mudam para a cidade e até desconfiar de detalhes quando algum caso assim ocorre. Foi assim desta vez, quando, segundo moradores, até o corpo ser encontrado todos estavam convictos de que o médico seria encontrado com vida.

Moradores veem cidade como lugar tranquilo
A violência nesta semana passou a ser assunto mais recorrente em rodas de conversa de Timbó. Foi ela também que, há um ano, fez o taxista Vanderlei Mayer, 44 anos, desistir de trabalhar durante a noite e fazer corridas apenas durante o dia. A decisão veio após quatro assaltos em que o motorista precisou reagir para evitar que bandidos levassem o dinheiro obtido no trabalho.

Para quem mora ou trabalha na cidade, a sensação é de tranquilidade, embora casos como o que causou a morte do anestesista Cleonildo de Oliveira sempre acendam uma luz de alerta. Cláudia Vanessa Ferrari Fock, 35 anos, trabalha em uma loja de produtos hospitalares em frente ao Hospital Oase, onde atuava o médico anestesista assassinado na semana passada. Ela ainda considera Timbó uma cidade tranquila, quase sem violência, mas lamenta que o profissional, que frequentava a loja, tenha sido morto de forma violenta.

Josiane Kotinski mora em Rio dos Cedros, cidade vizinha e ainda mais pacata, segundo ela mesma diz, e também trabalha no comércio próximo ao hospital. Por ali, diz que nunca passou por nenhum susto. Mas nada que deixe a jovem de 23 anos totalmente tranquila.

– O crime deixa a gente assustada pelo tamanho do que aconteceu, por ser algo tão grave. A cidade era mais tranquila. Mesmo assim, tomamos alguns cuidados em casa e no trabalho para não correr riscos – aponta.

A diarista Letícia Freitas, 20 anos, também acredita que o episódio não macule a imagem de Timbó. Ela diz ter ficado sentida pelo crime contra o médico por causa da família e dos pacientes, mas ainda assim vê o município como local tranquilo, de pessoas unidas.
– A gente ficou chocado por ser um médico e aqui do hospital, mas ainda vejo a cidade como tranquila – conta.

A opinião é a mesma de Andressa Moratelli, 37, que trabalha na policlínica da cidade.
– Acredito que seja um caso isolado, atípico. Não lembro da última vez que tivemos uma morte assim violenta na cidade e não é algo que me deixa preocupada, receosa ou pensando que a cidade se tornou violenta – avalia.

 

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